Porto Alegre, 2 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de arroz encerrou o mês de setembro travado, tanto no casca quanto no beneficiado, mas com preços firmes. Na origem, a pouca disponibilidade efetivamente ofertada limita pressões baixistas mais consistentes; na ponta final, o ritmo fraco das vendas e a dificuldade de repasse ao varejo restringem a capacidade de compra da indústria.
“O equilíbrio atual decorre, portanto, menos de fluxo comercial robusto e mais da baixa disposição de negociação entre compradores e vendedores, mantendo referências predominantemente nominais”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Na Fronteira Oeste, essa dinâmica aparece de forma ainda mais evidente. “O volume negociado é reduzido, enquanto a retenção na fonte permanece extremamente elevada e os produtores não demonstram urgência generalizada de venda”, exemplifica o analista.
Uruguaiana segue como importante termômetro da disposição vendedora, e a oferta marginal curta ajuda a explicar a firmeza do arroz em casca mesmo sem demanda doméstica agressiva. “Na outra ponta, indústrias e distribuidoras enfrentam vendas finais lentas, dificuldade de repasse e margens comprimidas, favorecendo compras seletivas e lotes de oportunidade”, pondera.
O varejo começa a apresentar um contraponto favorável. “O movimento de alta passa a aliviar parcialmente a pressão sobre as margens”, pontua o consultor. Ainda assim, não há indicação suficiente para afirmar recomposição integral.
Caso a alta varejista continue, a indústria poderá recuperar capacidade de pagamento na origem; caso contrário, a sustentação seguirá mais dependente da exportação. “Em setembro, os embarques apresentaram ritmo razoável, e a balança mensal tende a fechar praticamente equilibrada”, projeta Oliveira.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 30 de setembro cotado a R$ 84,26, alta de 1,47% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período de agosto, o avanço foi de 6,18%, enquanto. Em relação a 2025, a valorização atingiu 41,65%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras
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