Porto Alegre, 02 de outubro de 2026 – O mercado internacional de café teve um mês de setembro de volatilidade nas bolsas de arábica em Nova York e de robusta em Londres, com balanço negativo para as cotações. No Brasil, o mercado físico acompanhou está movimentação de quedas com um ritmo compassado nos negócios, com produtores dosando a oferta e compradores também cautelosos.
Embora o mercado tenha ensaiado alguns movimentos de reação técnica, diante de sinais de sobrevenda, o café continua dominado por uma pressão vendedora forte no físico, como destacou o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach. Para ele, setembro foi marcado por uma nova mudança na curva de preços do café no mercado internacional. “A alteração de comportamento refletiu principalmente uma mudança de perspectiva em relação ao fluxo global de abastecimento. O atraso da colheita e, consequentemente, da chegada da safra brasileira de 2026 ao mercado havia criado um ambiente de preocupação com a oferta, alimentando uma forte escalada dos preços, potencializada por um fluxo financeiro bastante ativo. Em setembro, porém, esse cenário começou a mudar”, ressaltou.
O analista comenta que o ritmo dos embarques brasileiros deu um salto em agosto, superando 4 milhões de sacas, e permaneceu forte em setembro, com dados parciais do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) sinalizando parcialmente embarques superiores a 4 milhões de sacas em setembro. “O fato é que a safra brasileira começou efetivamente a aparecer nas cooperativas, armazéns de tradings e praças de comercialização. Esse maior volume, somado às entregas vinculadas às vendas antecipadas no mercado físico, impulsionou o fluxo em direção aos portos e, posteriormente, aos principais mercados consumidores na Europa, Estados Unidos e Ásia”, avaliou Barabach.
As exportações globais alcançaram 130,81 milhões de sacas nos primeiros 11 meses da temporada 2025/26 (outubro/agosto), avanço de 1% em relação ao mesmo período da temporada anterior, segundo dados da OIC (Organização Internacional do Café), o que tranquiliza o mercado. “A perspectiva para o fluxo global continua positiva nos próximos meses, diante do início da colheita no Vietnã, da chegada de café de importantes origens da África e da América Central e do avanço da colheita principal na Colômbia”, aborda o analista.
Prevalece a percepção de melhora no fluxo global de abastecimento, sustentada pelo forte ritmo dos embarques brasileiros, pelas condições climáticas favoráveis às floradas da próxima safra do Brasil e também pela proximidade da entrada de outras importantes origens no mercado. “Esse ambiente de maior conforto para os compradores naturalmente joga contra os preços”, indica.
Embora haja apreensão com os efeitos do fenômeno El Niño nestes últimos meses do ano, até aqui o clima foi favorável para as floradas e pegamento inicial das floradas no Brasil que vão resultar na safra de 2027, o que gera otimismo quanto à produção.
No balanço mensal de setembro, na Bolsa de NY, o contrato dezembro acumulou queda de 6,7%, caindo de 311,50 centavos de dólar por libra-peso ao final de agosto para 290,70 centavos ao final de setembro. O robusta em Londres teve queda de 2,4% no mesmo comparativo no contrato novembro.
No mercado brasileiro, os preços acompanharam a desvalorização em NY e Londres, em intensidade semelhante. Os produtores procuraram dosar a oferta e o comprador buscou aproveitar as janelas de quedas nas cotações, embora aumente o fluxo de vendas com a finalização da colheita de uma grande safra em 2026, provavelmente recorde.
No balanço de setembro, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, safra nova, caiu de R$ 1.770,00 para R$ 1.650,00 a saca na base de compra, queda de 6,8%. No balanço de setembro no conilon, o tipo 7, base compra em Vitória/Espírito Santo, recuou de R$ 1.020,00 para R$ 990,00 a saca, baixa acumulada de 2,9%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Agência Safras)
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