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Resistência vendedora ganha força no feijão e sustenta preços dos lotes de melhor qualidade

Feijão

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Porto Alegre, 4 de setembro de 2026 – O mercado do feijão carioca encerra a semana em um ambiente de liquidez mínima, mas com sinais de reorganização da ponta compradora. O início do mês trouxe alguma reposição e maior presença dos empacotadores, porém ainda sem intensidade suficiente para caracterizar uma retomada consistente da demanda. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o produtor continua seletivo e, em Minas Gerais e Goiás, trabalha predominantemente entre R$ 280 e R$ 300 por saca (sc), demonstrando maior resistência abaixo de R$ 300/sc quando o lote reúne boa nota de cor, peneira, aspecto e umidade.

“O comprador voltou ao mercado, mas ainda não voltou a correr”, observa Oliveira.

A principal transformação está na qualidade como variável central para a formação dos preços. O mercado passou a apresentar uma escada mais definida entre intermediário, nota 9 e Extra 9,5, mostrando que não existe mais uma única referência representativa para todo o carioca.

Na Bolsa, o intermediário está em R$ 305/sc CIF São Paulo, o nota 9 em R$ 315/sc e o Extra 9,5 em R$ 325/sc, enquanto as pedidas chegam, respectivamente, a R$ 315, R$ 325 e R$ 335/sc. No preço na origem (FOB), o interior de São Paulo permanece ao redor de R$ 325/sc para 9+ e R$ 300/sc para 8/8,5. No Triângulo Mineiro, as indicações chegam a R$ 298/sc para 9+ e R$ 273/sc para 8/8,5, enquanto o Leste de Goiás aparece em R$ 291/sc e R$ 275/sc, respectivamente. Sorriso permanece como a praça de menor referência, em R$ 263/sc para 9+.

“Essa dispersão confirma que padrão visual, umidade, peneira e rendimento estão ampliando a diferença entre os lotes, enquanto produtos excessivamente secos ou com maior incidência de bandinhas enfrentam desconto”, destaca o analista.

Para o curto prazo, a sustentação parece mais evidente que uma alta generalizada. O ponto decisivo será verificar se a reposição dos empacotadores evolui de compras pontuais para uma recomposição mais consistente, justamente quando os melhores lotes começam a ficar mais escassos.

Caso o comprador avance sobre o Extra 9/9,5, a resistência vendedora tende a preservar ou ampliar os diferenciais superiores, podendo validar negócios entre R$ 325 e R$ 335/sc na Bolsa. Se a indústria permanecer apenas cobrindo a necessidade imediata, o cenário tende a continuar lateral, com maior pressão sobre intermediários e comerciais e preservação dos lotes premium.

“O principal risco baixista está na combinação entre comprador disciplinado e aumento da disposição de venda; o principal risco altista está na reposição mais agressiva coincidindo com baixa disponibilidade de qualidade”, avalia Oliveira.

Feijão preto mantém firmeza relativa mesmo com poucos negócios
O mercado do feijão preto apresentou uma dinâmica mais defensiva que a do carioca, sustentado por oferta doméstica mais ajustada e menor disponibilidade física, embora a demanda também permaneça seletiva. Os negócios em cargas a granel chegaram à faixa de R$ 260 a R$ 265/sc CIF São Paulo, enquanto o produto argentino oscila entre R$ 270 e R$ 280/sc CIF São Paulo.

No mercado de origem, a estrutura regional mostra R$ 223/sc no Sul do Paraná, R$ 233/sc no Oeste de Santa Catarina e R$ 241/sc no interior de São Paulo.

“Diferentemente do carioca, o feijão preto não apresentou a mesma intensidade de reprecificação por qualidade, mas permanece com uma base de oferta mais favorável ao vendedor”, comenta Oliveira.

No curto prazo, o preto deve continuar apresentando maior firmeza relativa ao carioca, desde que a oferta brasileira permaneça ajustada e a indústria mantenha necessidade de reposição. A principal variável de pressão seria uma entrada mais consistente de produto nacional ou uma perda de competitividade do consumo, enquanto o principal suporte permanece na menor disponibilidade doméstica.

A referência argentina precisa ser acompanhada de perto porque funciona como válvula de abastecimento. Preços externos mais competitivos podem limitar avanços do produto nacional, enquanto menor disponibilidade ou maior custo do importado tende a fortalecer a procura pelo preto brasileiro.

“A tendência imediata é de mercado sustentado, porém sem espaço para euforia, com compradores administrando volumes e vendedores selecionando melhor os lotes colocados à disposição”, aponta o analista.

Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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