Porto Alegre, 10 de julho de 2026 – O ambiente predominantemente é de expectativa no mercado brasileiro de arroz, refletindo um processo gradual de reequilíbrio entre oferta e demanda após a intensa pressão exercida no período pós-colheita. “O principal fator limitante continua sendo o baixo nível das cotações frente aos custos de produção”, destaca o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Ainda assim, o mercado passa a consolidar um movimento gradual de recuperação dos preços. A Fronteira Oeste gaúcha apresenta negócios entre R$ 57 e R$ 60 pela saca de 50 quilos, enquanto lotes de arroz nobre permanecem próximos de R$ 60.
“A firmeza observada nas referências evidencia menor pressão de venda, embora os preços ainda permaneçam insuficientes para recompor integralmente a rentabilidade da atividade”, pontua o analista.
O comércio exterior continua exercendo papel central na formação dos preços internos. “As exportações consolidam-se como o principal mecanismo de absorção dos excedentes domésticos e seguem sustentando parte da recuperação observada no mercado físico”, pondera.
Porém, a recente valorização do real, com o dólar retornando para a faixa de R$ 5,10, reduz parcialmente a melhora observada na paridade de exportação e aumenta a cautela na negociação de novos contratos externos. “Mesmo assim, permanece a percepção de que o desempenho das exportações continuará sendo o principal determinante da velocidade de reequilíbrio do mercado brasileiro durante o segundo semestre”, ressalta Oliveira.
Ainda assim, lembra o consultor, os volumes embarcados seguem abaixo da necessidade estrutural estimada em pelo menos 2 milhões de toneladas, patamar considerado importante para promover um ajuste mais consistente entre oferta e demanda.
Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (10) cotada a R$ 61,09, alta de 0,73% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 3,54%. Em relação a 2025, a desvalorização atingia 8,69%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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