Porto Alegre, 3 de julho de 2026 – Um conjunto de fatores vem favorecendo uma recuperação lenta, porém consistente, das cotações, com a média da saca de 50 quilos gaúcha aproximando-se de R$ 60, indicando uma melhora gradual na formação dos preços, ainda que distante de representar plena recomposição da rentabilidade do setor. A afirmação e do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
No comércio exterior, o fluxo de embarques continua exercendo papel decisivo para o equilíbrio do mercado doméstico. “De qualquer forma, caso o Brasil não alcance aproximadamente 2 milhões de toneladas exportadas na temporada, a tendência será de manutenção de elevados estoques de passagem para 2027”, lembra o consultor. “Esse excedente poderá amortecer parte dos efeitos positivos decorrentes da esperada redução de área e da possível diminuição da produção na próxima safra, tornando mais lento o processo de ajuste entre oferta e demanda”, explica.
“O principal destaque da conjuntura internacional está concentrado na divulgação do relatório oficial de área plantada dos Estados Unidos, que trouxe uma mudança significativa”, pondera o analista. A área destinada ao arroz longo fino, segmento que concorre diretamente com o produto brasileiro nos principais mercados importadores, foi reduzida de aproximadamente 857 mil para cerca de 565 mil hectares, representando uma expressiva retração de 293 mil hectares, equivalente a 34,1%.
Arkansas, maior estado produtor norte-americano, respondeu pela maior redução absoluta, com perda aproximada de 182 mil hectares. “Esse movimento tende a fortalecer a posição do arroz brasileiro, ampliando as oportunidades de conquista de mercados tradicionalmente abastecidos pelo produto norte-americano, especialmente em um contexto de melhora da paridade de exportação e de maior competitividade do Brasil”, aposta Oliveira.
Diante disso, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 30 de junho cotada a R$ 59,80, alta de 0,60% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês de maio, o avanço foi de 1,21%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu 9,12%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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