Porto Alegre, 10 de julho de 2026 – O mercado do feijão carioca encerrou a semana mantendo viés firme, sustentado principalmente pela oferta restrita dos lotes de melhor qualidade. A comercialização, conforme avalia o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, “tornou-se ainda mais técnica, com forte diferenciação entre padrões, origem e aproveitamento industrial”. Enquanto a liquidez permaneceu seletiva, com compradores atuando apenas para reposição imediata e vendedores mantendo postura firme nas pedidas.
“A semana encurtada pelo feriado estadual da Revolução Constitucionalista, em São Paulo, reduziu significativamente o volume ofertado, sem comprometer a sustentação das cotações”, avalia Oliveira.
No segmento Extra, os feijões notas 9 e 9,5 permaneceram extremamente escassos, com disponibilidade física muito limitada e negociações concentradas por amostras e embarques programados.
“Os melhores lotes continuaram sendo direcionados diretamente para a indústria, mantendo referências elevadas entre R$ 400 e R$ 440 por saca (sc) CIF São Paulo, enquanto as pedidas permaneceram próximas de R$ 430 para nota 9 e R$ 445 para nota 10”, observa o analista.
A terceira safra 2025/26 começou a ampliar lentamente a oferta dos padrões superiores, porém sem formação de excedentes, preservando a firmeza do mercado.
No segmento comercial, os padrões 7,5 e 8 concentraram a maior parte da liquidez. A qualidade, a uniformidade, a origem e o índice de defeitos permaneceram determinando integralmente a formação dos preços.
“A oferta dos comerciais começou a apresentar redução gradual, enquanto os primeiros lotes irrigados encontraram boa receptividade da indústria”, destaca Oliveira.
No FOB (preço na origem), o interior paulista permaneceu como principal referência nacional, acompanhado pelo Noroeste de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e regiões produtoras de Goiás, evidenciando manutenção das cotações em níveis historicamente elevados e ausência de pressão consistente de baixa.
Feijão preto mantém estabilidade com oferta ajustada
Já o mercado do feijão preto atravessou a semana em ambiente de estabilidade, com liquidez moderada e comercialização ocorrendo de forma organizada. Apesar da calmaria observada, o escoamento apresentou melhora gradual, proporcionando ritmo mais regular aos negócios. A demanda permaneceu suficiente para absorver a oferta disponível, sem formação de excedentes nem pressão relevante de venda.
“Os compradores seguiram disciplinados nas aquisições, enquanto produtores mantiveram postura firme diante da menor disponibilidade dos melhores lotes”, comenta o analista.
Os fundamentos de oferta permaneceram favoráveis à sustentação das cotações. “O encerramento da colheita da segunda safra 2025/26 no Paraná, aliado à redução de 34% da área cultivada, à queda estimada de 37% na produção e às perdas de produtividade provocadas pelas condições climáticas, reforçou a expectativa de menor disponibilidade ao longo da comercialização”, aponta Oliveira.
No FOB (preço na origem), o interior paulista manteve a principal referência nacional com indicações de até R$ 247/sc, seguido pelo Noroeste do Rio Grande do Sul (R$ 230/sc), Sul do Paraná (R$ 208/sc) e Oeste Catarinense (R$ 198/sc).
“O mercado segue equilibrado entre oferta ajustada e demanda regular, enquanto a velocidade das comercializações passa a ser fator determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas”, conclui o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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