Porto Alegre, 3 de julho de 2026 – Ao longo de junho, o mercado do feijão carioca permaneceu sustentado pela reduzida disponibilidade de lotes Extra, especialmente notas 9 e 9,5. O analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, afirma que a escassez de grãos de alta qualidade, agravada pelos efeitos climáticos sobre a segunda safra, manteve vendedores firmes nas pedidas, enquanto compradores adotaram postura cautelosa, adquirindo apenas o necessário.
“O mercado físico operou com baixa liquidez, predominância de negociações por amostras e embarques programados, refletindo forte seletividade comercial”. acrescenta.
A segunda safra encerrou-se com perdas expressivas no Paraná, onde geadas, excesso de umidade e problemas climáticos comprometeram produtividade e qualidade, elevando a participação de grãos manchados e comerciais.
“Em contrapartida, a terceira safra irrigada iniciou a colheita em Minas Gerais, Goiás e Bahia, ampliando gradualmente a disponibilidade de feijões superiores”, observa o analista. Apesar disso, o volume inicial permaneceu insuficiente para alterar significativamente o equilíbrio entre oferta e demanda.
Os preços permaneceram firmes durante praticamente todo o período. Lotes Extra negociaram entre R$ 420,00 e R$ 445,00 por saca (sc), enquanto os comerciais oscilaram conforme o padrão e a incidência de defeitos.
“A perspectiva para o próximo mês dependerá principalmente da velocidade de entrada da terceira safra irrigada, do comportamento das empacotadoras, da reposição do varejo e da capacidade do mercado absorver novos volumes sem comprometer os atuais níveis de preços”, destaca Oliveira.
Demanda fraca limita reação do feijão preto ao longo do mês
O mercado do feijão preto atravessou praticamente todo o mês em ambiente de baixa liquidez, demanda enfraquecida e reduzido volume de negociações. As empacotadoras permaneceram abastecidas e realizaram compras apenas pontuais, limitando significativamente a movimentação comercial.
“A maior parte das ofertas concentrou-se em produtos comerciais, enquanto lotes Extra praticamente desapareceram do mercado disponível, reduzindo ainda mais o número de negócios efetivamente concluídos”, comenta o analista.
Mesmo diante da menor disponibilidade de produtos superiores, o excesso relativo de oferta comercial impediu movimentos consistentes de valorização. Compradores mantiveram postura defensiva, aguardando oportunidades mais favoráveis, enquanto vendedores com necessidade de liquidez ajustaram pedidas aos níveis aceitos pelo mercado.
“O comportamento das negociações foi marcado por operações isoladas, baixo giro e ausência de impulso suficiente para alterar o equilíbrio predominante durante o mês”, aponta Oliveira.
As referências permaneceram relativamente estáveis, com negócios concentrados entre R$ 220,00 e R$ 250,00/sc para produtos comerciais, enquanto pequenos volumes superiores alcançaram níveis próximos de R$ 260,00/sc em momentos específicos.
“O desempenho futuro dependerá da retomada do consumo, do ritmo de reposição da indústria, da disponibilidade de lotes de melhor qualidade e da evolução da oferta nas principais regiões produtoras brasileiras durante as próximas semanas”, conclui o analista.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA
TUDO SOBRE O AGRONEGÓCIO
GLOBAL EM UM SÓ LUGAR





