Porto Alegre, 30 de junho de 2026 – O presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, avaliou que o Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial não trouxe mudanças significativas para o mercado de máquinas agrícolas. Segundo ele, apesar da redução das taxas de juros nas principais linhas de financiamento, o cenário de baixa rentabilidade do produtor rural deve continuar limitando os investimentos e manter o setor em retração neste ano.
De acordo com Estevão, o mercado de máquinas agrícolas segue em um momento difícil e não há, no curto prazo, fatores que indiquem uma recuperação da demanda. A expectativa da entidade é que as vendas do setor encerrem 2026 com queda entre 15% e 20% em relação ao ano passado. A projeção oficial será revisada e definida em reunião da Câmara Setorial nesta quarta-feira (1º).
“Os preços das commodities seguem pressionados e a taxa de câmbio também penaliza o produtor. Não enxergamos nenhum gatilho para uma melhora do mercado neste ano. No geral, o Plano Safra mantém um caráter de continuidade. Não é um plano que impulsiona o mercado, mas também não traz más notícias para o setor”, disse.
Nas linhas de financiamento para aquisição de máquinas, o governo reduziu em um ponto percentual as taxas de juros. Com isso, a linha Moderfrota passou de 13,5% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 12,5% para 11,5%.
Por outro lado, os recursos destinados ao Moderfrota foram reduzidos para R$ 5,8 bilhões. Segundo Estevão, entretanto, essa diminuição deve ser compensada por recursos do programa Move Brasil, financiado pela Finep, que deverá ser lançado juntamente com o Plano Safra. O programa contará com juros de 9,2% ao ano, inferiores aos do Moderfrota, e deverá disponibilizar entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões em financiamentos.
Na avaliação da CSMIA, a combinação entre juros menores e novas linhas de crédito representa um aspecto positivo do Plano Safra, mas não será suficiente para alterar o desempenho do mercado em 2026.
Receita com vendas internas de máquinas agrícolas em maio cai 33,8% na comparação anual
As vendas internas de máquinas agrícolas renderam R$ 3,929 bilhões em maio de 2026. Segundo a Abimaq, o valor é 33,8% menor do que o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, foram R$ 17,974 bilhões, uma baixa de 24,6%. No comparativo mensal, subiu 15,3%
A receita com exportações teve queda de 17% em maio ante abril, somando US$ 132,90 milhões. Durante 2026, foram US$ 715,96 milhões.
Já a receita líquida total, somou US$ 4,592 bilhões em maio, um avanço de 9% frente ao mês anterior. Ao longo de 2026, atingiram US$ 21,667 bilhões, um recuo de 21,1%.
O setor encerrou o mês com 115,040 mil pessoas empregadas, baixa de 7,6% frente a maio de 2025 e recuo de 0,1% ante abril.
Tratores
As vendas de fábrica de tratores totalizaram 3.764 unidades em maio, ganho de 2% em relação a abril e queda de 16,5% frente a maio de 2025. No acumulado de 12 meses, há perda de 16%.
As vendas ao usuário final somaram 3.345 unidades, recuo de 8,1% ante abril e de 16,6% na comparação anual. Em 12 meses, há queda de 7,7%.
As exportações de tratores atingiram 783 unidades no mês, alta de 58,2% frente a abril. Na comparação com maio de 2025, o volume subiu 49,4%. No acumulado de 12 meses, há ganho de 17%.
Colheitadeiras
As vendas de fábrica de colheitadeiras somaram 41 unidades em maio, queda de 24,1% ante abril e de 81,7% frente a maio de 2025. No acumulado de 12 meses, houve queda de 12,1%.
As vendas ao usuário final totalizaram 108 unidades, recuo de 38,6% na comparação mensal e de 47,1% ante igual mês do ano passado. Em 12 meses, há baixa de 30,8%.
As exportações atingiram 13 unidades, recuo de 51,9% frente a abril e estabilidade (0,0%) na comparação anual. No acumulado de 12 meses, o avanço é de 23,1%.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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