Porto Alegre, 19 de junho de 2026 – O mercado físico do boi gordo voltou a trabalhar com um cenário de pressão nas cotações da arroba ao longo da semana, mesmo em um ambiente marcado pela dificuldade na composição das escalas de abate pelos frigoríficos.
O analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, ressalta que os frigoríficos seguem testando níveis mais baixos de preço em meio à proximidade do esgotamento precoce da cota destinada pela China para as compras do Brasil neste ano, de 1,106 milhão de toneladas. “Essa cota está para ser preenchida entre os meses de junho e julho, o que deve fazer com que o Brasil passe a contar com uma ausência parcial e temporária do principal mercado para a carne bovina brasileira”, avalia.
Para o analista, diante de um cenário mais desafiador a indústria tende a readequar a quantidade de animais abatidos diariamente, com aumento da capacidade ociosa, além de reduzir os turnos de abate, visando uma adequação à nova realidade de demanda.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 18 de junho:
* São Paulo (Capital) – R$ 350,00 a arroba, baixa de 1,41% frente aos R$ 355,00 registrados no final da semana passada.
* Goiás (Goiânia) – R$ 325,00 a arroba, recuo de 4,41% frente aos R$ 340,00 registrados no final da semana anterior.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 325,00 a arroba, retração de 1,52% frente aos R$ 330,00 praticados no fechamento da semana passada.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 345,00 a arroba, queda de 2,82% ante os R$ 345,00 registrados no encerramento da última semana.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 350,00 a arroba, decréscimo de 2,78% perante os R$ 360,00 praticados no fechamento da semana anterior.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 335,00 a arroba, declínio de 2,90% em relação aos R$ 345,00 registrados no encerramento da semana anterior.
Atacado
Iglesias destaca que o mercado atacadista apresentou cotações estáveis durante a semana. Ainda assim, Iglesias afirma que há uma expectativa de recuperação dos preços nos próximos dias, em meio às vésperas de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. O entrave para avanços mais expressivos nas cotações está na menor competitividade da carne bovina frente a proteínas concorrentes, em especial a carne de frango.
O quarto do dianteiro foi precificado a R$ 21,70 por quilo na semana, inalterado frente ao final da semana passada. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,00 por quilo, sem mudanças ante o encerramento da última semana.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 850,786 milhões em junho até o momento (9 dias úteis), com média diária de US$ 94,531 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 129,685 mil toneladas, com média diária de 14,409 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.560,40.
Em relação a junho de 2025, houve alta de 44,0% no valor médio diário da exportação, ganho de 19,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 20,4% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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