Porto Alegre, 05 de junho de 2026 – A colheita da safra de café 2026/27 do Brasil vai evoluindo, ainda com atraso em relação ao normal para o período. De todo modo, persiste a expectativa de uma produção recorde, que vai sendo indicada nas estimativas de mercado, e como foi apontado no começo da semana no relatório do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o Brasil.
Naturalmente, os preços nas bolsas vão reagindo a essa perspectiva, que traz maior tranquilidade ao abastecimento global, em se tratando do maior país produtor e exportador do mundo. Em Nova York, o arábica caiu para o contrato julho nesta quarta-feira (03) aos níveis mais baixos em um ano e meio. Em Londres para o robusta, as cotações também estão sob pressão, embora menos que o arábica, até porque a safra de conilon/robusta do Brasil não está tão pujante no ano e preocupa com rendimentos abaixo do esperado na parte inicial da colheita.
Os trabalhos de colheita voltaram a avançar ao longo da última semana, embora a umidade tenha atrapalhado as atividades em algumas regiões. Levantamento semanal de Safras & Mercado indica que, até 2 de junho, 23% da safra 2026/27 havia sido colhida. O percentual representa um avanço de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior.
Apesar do bom avanço, o ritmo segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando 28% da safra havia sido colhida, e também inferior à média dos últimos cinco anos (2021–2025), de 27%.
A colheita do café canéfora (conilon/robusta) está mais avançada, com 34% da produção colhida, mas ainda abaixo do registrado no ano passado e da média dos últimos cinco anos, ambos em 40%.
No caso do arábica, os trabalhos também estão atrasados, alcançando 17% da produção. O número fica abaixo do registrado em 2025, quando 21% da safra havia sido colhida, e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 20%.
USDA
A safra brasileira de café 2026/27 deve atingir um total de 71,9 milhões de sacas, com aumento de cerca de 14% sobre a safra 2025/26, indicada em 63,0 milhões de sacas. A estimativa parte do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no Brasil. A safra 2025/26 foi mantida em relação à estimativa oficial do USDA.
A produção brasileira de arábica em 2026/27 deve chegar a 47,5 milhões de sacas, com aumento de 25% no comparativo com 2025/26 (38 milhões de sacas). Já a produção de conilon/robusta é estimada pelo adido em 24,4 milhões de sacas, com queda de 2,4% contra 2025/26 (25 milhões de sacas)
Segundo o adido, safra de café 2026/27 é aguardada com otimismo. “A colheita poderá estabelecer um novo recorde, encerrando um período de cinco anos em que a produção de café arábica apresentou desempenho abaixo do esperado devido a condições climáticas adversas, comenta o texto.
Para o adido do USDA, as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil beneficiaram, de modo geral, a produção de café para a safra 2026/27. “Embora as chuvas tenham sido um pouco irregulares no último trimestre de 2025, o volume foi suficiente para garantir o bom desenvolvimento das principais floradas ocorridas em setembro e outubro. No início de 2026, as precipitações tornaram-se mais regulares, assegurando um excelente desempenho das lavouras”, avaliou.
A chegada de uma safra cheia ocorre em um momento em que os baixos estoques domésticos e internacionais têm levado os exportadores a restringir novos negócios, indicou o adido. Comenta que, além disso, a possibilidade da ocorrência do fenômeno El Niño acende um alerta entre os produtores quanto aos possíveis impactos sobre o final da colheita 2026/27 e sobre o ciclo cafeeiro 2027/28. “Esses fatores estão influenciando fortemente os preços do café no mercado brasileiro”, observa.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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