Porto Alegre, 23 de julho de 2026 – A Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta quinta-feira com preços acentuadamente mais baixos.
Os preços recuaram aos patamares mais baixos em duas semanas no contrato setembro. O dólar em alta contra o real e outras moedas foi fator baixista no dia. Mas o que mais pesou foi a estimativa divulgada na quarta-feira no relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontando uma safra global recorde em 2026/27.
Completando o cenário baixista, está a indicação de um clima mais favorável à evolução da colheita no Brasil, que segue atrasada. As previsões colocam condições mais secas até o fim de julho.
A constante queda nos estoques certificados em NY é um fator de suporte, trazendo o sentimento de aperto na oferta no curto prazo. A valorização do petróleo no dia foi outro fator que limitou as perdas.
A produção mundial de café em 2026/27 deverá totalizar um recorde de 189,667 milhões de sacas de 60 quilos, contra 178,830 milhões de sacas na temporada anterior, o que representa um aumento de 6,1%. A estimativa é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no seu relatório bianual sobre o mercado mundial relativo a junho.
O aumento na produção mundial está escorado numa safra brasileira 2026/27 recorde estimada pelo USDA em 71,9 milhões de sacas, com aumento de 14% no comparativo com a safra de 2025/26 (63 milhões de sacas). A safra de arábica brasileira 2026/27 está colocada em 47,5 milhões de sacas e a de robusta/conilon em 24,4 milhões de sacas. Em 2025/26, segundo o USDA, o país colhera 38 milhões de sacas de arábica e 25 milhões de sacas de robusta.
O consumo total de café em 2026/27, segundo o USDA, deverá atingir 179,736 milhões de sacas, contra 173,459 milhões de sacas na temporada anterior 2025/26, aumento de 3,6%. Os maiores incrementos vieram da União Europeia e Estados Unidos, segundo o USDA.
Assim, haverá superávit na oferta de 9,931 milhões de sacas em 2026/27, no comparativo com um superávit de 5,371 milhões de sacas em 2025/26.
Os estoques finais totais de café em 2026/27 deverão atingir 26,283 milhões de sacas, contra 24,370 milhões de sacas em 2025/26.
Os contratos para entrega em setembro/2026 fecharam a 309,40 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 7,25 centavos, ou de 2,3%. A posição dezembro/2026 fechou a 296,45 centavos, desvalorização de 7,25 centavos, ou de 2,4%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Safras News)
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