Porto Alegre, 22 de maio de 2026 – O mercado brasileiro de arroz ainda atravessa um dos momentos mais delicados desta fase pós-colheita, consolidando um ambiente de forte pressão sobre as cotações em praticamente todas as regiões produtoras. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Com a colheita tecnicamente encerrada no Rio Grande do Sul, o mercado passa a conviver com disponibilidade física extremamente ampla, enquanto o consumo doméstico continua operando em ritmo lento e insuficiente para absorver a atual oferta. “Nesse ambiente, a liquidez permanece em níveis mínimos, refletindo a combinação entre compradores retraídos, margens industriais pressionadas e forte cautela nas aquisições”, enumera o consultor.
Ainda assim, a postura defensiva de produtores mais capitalizados continua limitando movimentos mais abruptos de baixa, principalmente nas regiões de melhor qualidade industrial.
Do ponto de vista produtivo, a safra gaúcha confirmou produtividade elevada e qualidade industrial consistente, mesmo diante de dificuldades financeiras enfrentadas ao longo do ciclo. “A boa disponibilidade hídrica favoreceu o potencial produtivo em grande parte das áreas, enquanto a baixa incidência de defeitos industriais reforçou o bom rendimento de engenho”, explica Oliveira.
O dólar segue oscilando ao redor de R$ 5,00, permanecendo como variável central para o comportamento da paridade de exportação. “Os momentos de valorização do real reduziram a competitividade brasileira no mercado internacional e desaceleraram parte da demanda externa justamente em um período em que o setor depende fortemente do fluxo exportador para aliviar o excedente interno”, lamenta o consultor.
“A ampla oferta física e a baixa liquidez continuam dominando o curto prazo, gerando um ambiente emocionalmente fragilizado em parte da cadeia”, destaca. “Ao mesmo tempo, começa a crescer uma leitura menos pessimista para o médio prazo, especialmente diante de fundamentos internacionais gradualmente mais construtivos”, pondera. Parte do mercado já observa com maior atenção fatores como redução de área nos Estados Unidos, estoques globais ligeiramente menores, riscos climáticos na Ásia e potenciais ajustes futuros na competitividade internacional.
Em relação aos preços, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (21) cotada a R$ 59,57, queda de 1,12% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o recuo foi de 7,30%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu 21,64%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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