O mercado do feijão carioca encerrou a semana mantendo viés firmemente altista, sustentado principalmente pela combinação entre oferta extremamente restrita, atraso relevante da segunda safra no Paraná e forte dificuldade de reposição de lotes extras. Ao longo dos últimos dias, a bolsa operou diversas sessões praticamente inoperantes, com ausência de compradores ativos ou escassez severa de mercadorias disponíveis, cenário que, segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, segue mantendo o setor tecnicamente ajustado.
“Mesmo com a desaceleração do varejo e a retração temporária das grandes empacotadoras, os preços seguiram avançando no FOB e nas indicações para mercadorias nobres”, observa Oliveira.
Os lotes nota 9 ou superior consolidaram novo patamar de mercado. No interior paulista e no Triângulo Mineiro, as indicações chegaram até R$ 415 por saca (sc), enquanto o Noroeste Mineiro trabalhou muito próximo ou acima dos R$ 400/sc. No Sul do Paraná, apesar de correções pontuais, as referências seguiram elevadas, alcançando até R$ 360/sc.
Já os padrões intermediários também acompanharam o movimento, com o interior paulista atingindo até R$ 377/sc e Mato Grosso mantendo sequência consistente de altas até R$ 343-R$ 345/sc.
“O mercado confirma clara migração da pressão altista também para os feijões comerciais, refletindo dificuldade crescente de originação”, destaca o analista.
O principal fundamento segue sendo a entressafra associada ao atraso da segunda safra paranaense. O avanço da colheita ainda permanece limitado, próximo de 10%, mantendo o mercado extremamente dependente de volumes pontuais.
“Paralelamente, o excesso de chuvas no Paraná amplia os riscos de perdas de qualidade, escurecimento e problemas fitossanitários justamente no momento em que o mercado mais necessita de feijões de padrão superior”, aponta Oliveira.
Com compradores operando estoques mínimos e produtores comercializando de forma extremamente seletiva, o setor segue com sustentação consistente para manutenção de preços elevados no curto prazo.
Preto reage lentamente e busca recuperação apoiado na disparada do carioca
O mercado do feijão preto encerrou a semana em trajetória de recuperação gradual, apoiado principalmente pelo forte encarecimento do carioca e pela tentativa do setor comprador de buscar alternativas mais competitivas para abastecimento.
“Embora a liquidez ainda permaneça limitada e os compradores atuem com cautela, o mercado começa a consolidar reação mais consistente nas referências FOB, especialmente nos lotes de melhor padrão”, comenta Oliveira.
No interior paulista, as indicações já atingem R$ 206 por saca (sc) para feijão preto extra Tipo 1, enquanto o Sul do Paraná busca os R$ 180/sc e o Noroeste trabalha próximo de R$ 190/sc.
“O movimento confirma melhora gradual no ambiente de comercialização, sustentado pela percepção de que o diferencial excessivamente elevado entre carioca e preto começa a estimular substituição parcial em determinados canais de consumo”, avalia o analista.
Mesmo assim, a demanda ainda avança lentamente, sem ocorrência de compras agressivas ou formação relevante de estoques.
Do lado produtivo, o mercado também acompanha o avanço da segunda safra no Rio Grande do Sul. Segundo a Emater-RS, mais de 20% das áreas já foram colhidas, com potencial produtivo considerado satisfatório na maior parte das lavouras.
“As condições climáticas vêm favorecendo o enchimento de grãos e a formação das vagens, embora o aumento da umidade e a queda das temperaturas elevem o risco de doenças fúngicas”, destaca Oliveira.
Assim, o mercado segue dividido entre a expectativa de maior oferta nas próximas semanas e a sustentação proporcionada pela valorização acelerada do carioca.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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