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Abril de quedas para o café no Brasil com pressão pela safra e descolamento em relação às bolsas

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Porto Alegre, 30 de abril de 2026 – A volatilidade persistiu no mercado internacional do café em abril. Na Bolsa de Nova York para o arábica, que baliza a comercialização, os altos e baixos seguiram diante da guerra e impasses entre Estados Unidos e Irã. O petróleo voltou a subir, o dólar oscila e os operadores buscam proteção em meio ao aumento da aversão ao risco, como destaca o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach.

 

No Brasil, o mercado físico teve um abril de natural observação às oscilações externas. Mas, notou-se um certo descolamento em relação às referências das bolsas, reflexo do início da colheita com perspectivas de melhora na oferta.

 

Esta última semana de abril também foi de decisões sobre taxa de juros, adicionando instabilidade ao cenário. Houve manutenção de taxas nos Estados Unidos e corte na Selic no Brasil. “No café, o efeito tem sido de sustentação dos preços no curto prazo. Esses movimentos têm sido frequentes e vêm direcionando as oscilações recentes do mercado”, comenta Barabach, em relação às bolsas.

 

Para ele, o fato é que, enquanto a tensão geopolítica traz volatilidade no curto prazo, o fundamento segue mais negativo, diante da expectativa de uma safra recorde no Brasil. “Isso ajuda a explicar o comportamento recente da curva de preços em NY, marcado por uma forte queda em fevereiro, seguida por breves movimentos de alta de baixa amplitude, típicos de um período de acomodação. Os chamados ‘voos de galinha’ estão justamente ligados à volatilidade gerada pelo cenário geopolítico, em um ambiente de fundamentos mais fracos”, comenta. A expectativa de uma grande safra brasileira limita as tentativas de alta e reforça o viés negativo no longo prazo, comenta.

 

Barabach avalia que a chegada da safra brasileira, com a confirmação de uma produção recorde, pode contribuir para um ajuste dessa curva de preços — pressionando mais os contratos de curto prazo do que os mais longos — e permitindo uma normalização gradual dos spreads, que historicamente tendem a ser positivos.

 

O mercado físico de café no Brasil refletiu a volatilidade das bolsas de Nova York e Londres, além do comportamento do dólar, em meio à transição entre safras. “O avanço da colheita começa a ampliar a presença de café novo no mercado, com produtores intensificando a oferta de amostras. Ao mesmo tempo, cresce o interesse de venda, já que parte dos produtores busca liberar espaço para a entrada da nova safra. Esse movimento físico tem provocado um descolamento negativo em relação às referências de bolsa e câmbio, deixando o mercado interno mais fraco”, analisa Barabach.

 

Além do aumento do volume disponível, pesa negativamente a menor urgência dos compradores, diante da perspectiva de um ambiente de oferta mais confortável à frente, comenta. A indústria doméstica e os exportadores seguem atuando “da mão para a boca”, cobrindo apenas necessidades imediatas, o que reduz a liquidez das negociações.

 

Como observa Barabach, o mercado entra também no período típico de concorrência entre o café remanescente da safra anterior e o café novo. “Diante desse cenário, o produtor deve manter atenção ao curto prazo, especialmente à necessidade de caixa para cobrir os custos de colheita e outros compromissos típicos da entrada de safra. A recomendação é buscar equilibrar o fluxo de comercialização, adotando estratégias de proteção no curto prazo, mas mantendo flexibilidade para aproveitar eventuais mudanças, sobretudo diante das incertezas climáticas à frente”, afirma.

 

No balanço de abril, na Bolsa de NY, o contrato julho/2026 do café arábica teve estabilidade, já que fechou março a 290,80 centavos de dólar por libra-peso e nesta quarta-feira, 29 de abril, fechou a 290,70 centavos. O robusta em Londres teve alta de 1,1% no mesmo comparativo no contrato julho.

 

O café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais acumulou baixa de 6,1% em abril, caindo de R$ 1.950,00 para R$ 1.830,00 a saca na base de compra. No mês de abril, o conilon, tipo 7, em Vitória/Espírito Santo, acumulou uma queda de 5,1%, passando de R$ 970,00 a saca para R$ 920,00 a saca na base de compra.

 

Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News

 

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