Porto Alegre, 24 de abril de 2026 – O mercado brasileiro de arroz manteve o quadro clássico de travamento operacional, caracterizado por liquidez extremamente restrita e ausência de formação consistente de preço. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
As cotações permanecem nominalmente estáveis, com a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul entre R$ 61–63 por saca de 50 quilos FOB, Santa Catarina entre R$ 57–62/saca e pedidas no Centro-Norte (TO/MT) próximas de R$ 100 pela saca de 60 quilos, porém sem validação por negócios efetivos.
Do lado da oferta, o produtor mantém postura de retenção estratégica (armazenamento deliberado visando melhores preços), sustentado por margens ainda abaixo do ponto de equilíbrio econômico.
A pressão financeira, entretanto, se intensifica. “Custos vencendo e passivos sendo postergados indicam deterioração do fluxo de caixa, elevando o risco de liquidação forçada adiante”, pondera Oliveira.
No campo institucional, os mecanismos PEP/PEPRO (subvenções para escoamento e equalização de preço) atuam como âncora psicológica. Apesar da expectativa elevada, destaca o analista, a leitura técnica é clara: instrumento tardio, de alcance limitado e baseado em preço mínimo defasado (inferior ao custo real). “Pode destravar um fluxo pontual, mas não reprecifica estruturalmente o mercado”, afirma.
O fluxo de mercado permanece paralisado, condicionado a três vetores: definição do PEP, comportamento cambial e estabilização do cenário internacional. “Na prática, o mercado opera em modo de espera, dependente de gatilho externo para destravamento”, relata o consultor.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 64,33, alta de 1,88% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 5,10%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingia 16,60%.
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Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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