Porto Alegre, 24 de abril de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com pouca movimentação no mercado spot, mantendo preços sustentados em meio à restrição de oferta e à dificuldade de acesso a produto de melhor qualidade. Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, o ambiente seguiu marcado por negociações pontuais e desalinhamento entre compradores e vendedores.
“O principal vetor segue sendo a escassez de oferta, tanto em volume quanto em qualidade”, afirma. De acordo com ele, a limitação de trigo panificável amplia o diferencial entre lotes e sustenta as cotações no curto prazo.
No mercado doméstico, houve recuperação moderada dos preços ao longo da semana. No Paraná, a média avançou para R$ 1.373 por tonelada, com alta de 1% na semana e 9% no mês. No Rio Grande do Sul, os preços giraram ao redor de R$ 1.275 por tonelada, acumulando valorização de 11% no período. Ainda assim, na comparação anual, os níveis permanecem abaixo dos registrados em 2025, refletindo principalmente o comportamento do câmbio.
“Os produtores permanecem cautelosos, evitando vender em níveis considerados pouco remuneradores, enquanto a indústria mantém uma posição mais confortável, com estoques que permitem postergar compras”, explica Bento.
A disponibilidade interna segue restrita. O saldo remanescente é estimado em cerca de 100 mil toneladas no Paraná e 250 mil toneladas no Rio Grande do Sul, enquanto, no caso gaúcho, a moagem projetada para os próximos meses é significativamente superior. “Isso mantém o mercado ajustado, com compradores indicando níveis ao redor de R$ 1.260 por tonelada, podendo chegar a R$ 1.300 em posições mais longas”, diz o analista.
No cenário externo, o trigo argentino permanece ao redor de US$ 240 por tonelada, mas as incertezas quanto à qualidade reduzem a oferta efetiva de produto panificável e aumentam a necessidade de origens alternativas. Ao mesmo tempo, o câmbio abaixo de R$ 5,00 atua como fator moderador. “A paridade de importação continua sendo a principal referência, ainda com dúvidas sobre a disponibilidade e a qualidade do trigo argentino”, observa Bento.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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