Porto Alegre, 17 de abril de 2026 – A primeira quinzena de abril consolidou um ambiente de liquidez estruturalmente restrita, com o mercado operando sob forte desalinhamento entre oferta potencial e disponibilidade efetiva. “A formação de preço permaneceu descolada do fluxo, sustentada pela retenção estratégica do produtor, que segue sentado no estoque diante de margens abaixo do custo”, destaca o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
As referências oscilaram dentro de um intervalo técnico entre R$ 61–68 por saca de 50 quilos, configurando um piso de curto prazo. “Contudo, trata-se de uma estabilidade artificial, caracterizada por preço ofertado, mas não negociado, em um ambiente de baixa profundidade no spot”, explica.
Do lado comprador, a indústria operou com aquisições pontuais e foco exclusivo na reposição imediata, reforçando o vácuo de negócios. A competitividade externa brasileira apresentou deterioração acentuada ao longo do período. “O câmbio operando abaixo de R$ 5,00 atuou como vetor central de compressão das margens FOB, consolidando um cenário de inviabilidade exportadora”, lamenta Oliveira.
O Brasil atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o desconto estrutural necessário para inserção nos mercados das Américas. “Na prática, a exportação perdeu sua função como válvula de escoamento”, frisa.
Após um início de ano com volumes relevantes (acima de 600 mil t no trimestre), observou-se desaceleração significativa, com redução da atratividade e retração da demanda externa. “A quinzena foi marcada pela transição crítica entre o final da entressafra e a entrada da nova safra, com avanço significativo da colheita e consolidação de uma produção volumosa e de boa produtividade”, enumera o analista.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (16) cotada a R$ 63,14, alta de 0,77% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 7,12%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização ainda atingia 18,14%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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