A irregularidade das chuvas no Centro do Brasil e a transição para um novo episódio de El Niño elevam a preocupação com o desenvolvimento da segunda safra de milho, segundo avaliação do agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima, durante painel da 11a edição da Safras Agri Week, realizada nos dias 14 e 15 de abril.
De acordo com o especialista, o principal ponto de atenção no curto prazo está na distribuição das precipitações em estados como Goiás e Minas Gerais, que avançaram no plantio em março e devem entrar em fases críticas de desenvolvimento nas próximas semanas. A previsão indica volumes irregulares e a possibilidade de uma janela de até duas a três semanas sem chuvas, o que pode comprometer o potencial produtivo.
Apesar da expectativa de retorno pontual das chuvas na virada do mês no Cerrado, os volumes devem ser limitados. “Há uma grande preocupação com a segunda safra. Não sabemos se as chuvas virão no momento que o produtor precisa”, afirmou.
Segundo ele, os próximos 30 dias serão decisivos para a definição da safra. A tendência é de chuvas mais concentradas nos extremos Norte e Sul do país, com menor regularidade na Região Central, justamente onde está concentrada a produção de milho safrinha.
O meteorologista também chamou atenção para a disseminação de informações incorretas sobre um suposto “super El Niño”. Ele descartou a tese e destacou que não há base histórica para esse tipo de afirmação. “Temos cerca de 76 anos de dados confiáveis. Não é possível afirmar que será o mais forte da história”, disse.
O atual cenário ainda é de transição entre La Niña e neutralidade, com possibilidade de consolidação do El Niño a partir de maio ou junho. A Rural Clima trabalha com a hipótese de um evento de forte intensidade, embora sem definição clara sobre sua magnitude.
Para o Brasil, o fenômeno deve alterar o padrão climático ao longo do segundo semestre. Há tendência de retorno antecipado das chuvas na primavera, possivelmente a partir de agosto, além de episódios de precipitação durante o inverno.
Por outro lado, o ambiente mais úmido pode prejudicar culturas como café e interferir na colheita de cana, reduzindo o ritmo da produção de açúcar e etanol.
Outro ponto de atenção é o comportamento das temperaturas. Modelos indicam a entrada de uma massa de ar polar entre o fim de maio e o início de junho, o que pode provocar queda acentuada nas temperaturas no Sul do Brasil. O risco de geadas, no entanto, ainda é incerto.
No médio prazo, o maior risco está na safra 2026/27. Segundo o meteorologista, anos de El Niño costumam ser mais instáveis para a agricultura brasileira. “São anos traiçoeiros. Muitas vezes começam bem, mas terminam com problemas”, afirmou.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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