O mercado de feijão carioca encerra a semana em processo de ajuste técnico, com manutenção de liquidez restrita e migração consistente das negociações para o pós-pregão, amostras e operações via embarque, conforme aponta o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira. O spot apresentou relativa estabilidade, com o tipo 9 oscilando entre R$ 35-360/sc CIF SP, enquanto padrões 8,5 giraram entre R$ 335-340/sc e os comerciais recuaram para a faixa de R$ 270-315/sc, evidenciando forte diferenciação por qualidade.
No entanto, Oliveira considera que o movimento dominante ocorreu nas origens, com pressão baixista progressiva no FOB (MG e GO), refletindo maior disponibilidade no curto prazo, impulsionada pela entrada da nova safra e pela circulação ampliada de lotes comerciais, muitos com defeitos.
“A oferta segue heterogênea, com escassez relativa de grãos nota 9+ e maior presença de padrões inferiores”, comenta o analista.
A demanda permanece enfraquecida, com compradores abastecidos e altamente seletivos, limitando o escoamento e forçando ajustes pontuais nos preços.
“O mercado opera em transição: de um ambiente sustentado pela restrição de oferta para outro condicionado ao ritmo de consumo, com viés de ajuste baixista moderado no curto prazo”, avalia Oliveira.
Feijão preto permanece travado com ausência de liquidez no mercado spot
Já o mercado de feijão preto encerra a semana em condição crítica de liquidez, com ausência de negócios relevantes mesmo diante de sucessivas quedas de preços.
“A dinâmica permanece travada, com compradores retraídos, estoques confortáveis e baixa necessidade de recomposição no curto prazo”, destaca o analista.
Os preços seguiram em trajetória descendente ao longo da semana, com o FOB consolidando novos pisos regionais: Paraná entre R$ 166-175/sc, Santa Catarina entre R$ 157-162/sc e São Paulo entre R$ 185-200/sc. No spot, as referências seguem nominais, sem efetiva formação de negócios consistentes.
“A oferta permanece elevada, com dificuldade de escoamento e aumento da concorrência entre vendedores”, observa Oliveira.
O mercado evidencia um cenário em que o preço perdeu capacidade de ajuste, sendo a ausência de demanda o principal fator limitante.
“O segmento segue desancorado, com formação de preços ainda em curso e viés baixista predominante”, conclui.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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