Porto Alegre, 13 de março de 2026 – Ainda que tenham ocorrido avanços pontuais nas indicações do arroz nesta semana, a formação de preços segue limitada por uma liquidez extremamente baixa, com poucos negócios efetivos servindo de referência. “Em outras palavras, trata-se de um mercado com preços relativamente firmes, porém com pouca profundidade transacional, dificultando a definição de uma tendência clara”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Esse equilíbrio delicado vem sendo sustentado, sobretudo, por dois pilares principais: a retenção de oferta por parte dos produtores e a presença de exportações ainda ativas, que ajudam a aliviar parte da pressão da oferta doméstica.
“Contudo, esse arranjo ocorre em um ambiente estruturalmente mais complexo, marcado por custos elevados de produção, riscos logísticos crescentes e um cenário internacional relativamente abastecido, fatores que ampliam as incertezas para toda a cadeia produtiva”, destaca Oliveira.
Entre esses vetores de risco, um dos elementos mais disruptivos das últimas semanas passou a ser o diesel, que deixou de representar apenas um item relevante de custo para se transformar em um verdadeiro gargalo operacional da cadeia orizícola.
Conforme o consultor, em pleno pico da colheita no Rio Grande do Sul, relatos de restrição no fornecimento por parte de distribuidores têm provocado situações de “fazenda parada”, nas quais a indisponibilidade de combustível impede a operação de colheitadeiras e equipamentos de transporte.
Paralelamente, observa-se uma explosão no preço do diesel, com registros de elevação de cerca de R$ 5,60 para até R$ 10,00 por litro em algumas regiões do estado, refletindo tensões geopolíticas associadas ao fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
“O impacto desse movimento já aparece no frete rodoviário, que acumula alta próxima de 37% no ano, encarecendo tanto o escoamento interno quanto o transporte até os portos”, relata o analista. Esse choque de custos cria um paradoxo relevante para o setor: enquanto a cadeia produtiva enfrenta forte pressão inflacionária na produção e na logística, o mercado interno ainda opera com baixa liquidez e preços relativamente limitados ao nível do produtor.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 58,01, alta de 2,74% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 6,07%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingia 30,98%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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