Porto Alegre, 5 de março de 2026 – O mercado físico do boi gordo registrou um cenário de negociações acomodadas no decorrer da semana. Muitos frigoríficos estiveram ausentes da compra de gado, avaliando os problemas logísticos que poderão vir a ser causados pelo conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Para o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, em uma análise inicial, o encarecimento da logística parece ser a consequência mais óbvia, embora o mercado tenha se tranquilizado um pouco após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurar que os navios terão tráfego garantido no estreito de Ormuz.
Na B3, os preços futuros do boi gordo também registraram expressiva desvalorização durante a semana, em meio ao cenário especulativo envolvendo as incertezas quanto ao cenário para a exportação de carnes para os países da região. “Para o curto prazo, tudo indica que o cenário de preços tende a seguir negativo”, pontua.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 5 de março:
* São Paulo (Capital) – R$ 350,00 a arroba, baixa de 2,78% em relação aos R$ 360,00 praticados no final da semana passada.
* Goiás (Goiânia) – R$ 330,00 a arroba, recuo de 2,94% frente aos R$ 340,00 registrados no encerramento da semana passada.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 345,00 a arroba, valor 1,47% acima dos R$ 340,00 registrados no fechamento da semana anterior.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 340,00 a arroba, sem mudanças frente ao final da semana passada.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 340,00 a arroba, inalterado frente ao valor praticado na semana passada.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 315,00 a arroba, avanço de 1,61% ante os R$ 310,00 registrados no final da semana passada.
Atacado
No mercado atacadista, os preços estiveram acomodados durante a semana. O viés ainda sugere espaço para alta de preços dos cortes de carne com osso, embora de maneira moderada. Iglesias lembra que a carne bovina segue perdendo competitividade em relação as proteínas concorrentes, em especial na comparação com a carne de frango. Quarto dianteiro ainda é precificado a R$ 21,00, por quilo. Quarto traseiro ainda é precificado a R$ 27,00, por quilo. Ponta de agulha segue precificada a R$ 19,50, por quilo.
O quarto do dianteiro foi precificado a R$ 21,00 por quilo, inalterado em relação à semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,00 por quilo, sem alterações em relação à última semana.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,330 bilhão em fevereiro (18 dias úteis), com média diária de US$ 73,923 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 235,889 mil toneladas, com média diária de 13,105 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.640,90.
Em relação a fevereiro de 2025, houve alta de 41,8% no valor médio diário da exportação, ganho de 23,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 14,5% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Safras News
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