A Suprema Corte do Panamá está concluindo as deliberações sobre se a empresa CK Hutchison, de Hong Kong, poderá continuar operando dois portos estratégicos nas extremidades do Canal do Panamá. Washington e Pequim acompanham a decisão de perto, pois envolve a crescente disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. O presidente Donald Trump já afirmou querer retomar influência sobre o canal. Já a a China tem dificultado a venda dos ativos portuários da Hutchison para um consórcio liderado por BlackRock e MSC.
Advogados privados e o controlador-geral do Panamá entraram com ações alegando que a Hutchison violou a Constituição ao prejudicar os interesses do Estado e dos contribuintes. Uma auditoria apontou até US$ 1,3 bilhão em receitas perdidas desde que a empresa assumiu os portos no fim dos anos 1990. Por sua vez, autoridades panamenhas afirmam que, caso a licença seja revogada, o governo garantirá a continuidade das operações enquanto prepara uma nova licitação, possivelmente separando os dois terminais. O presidente José Raúl Mulino indicou que a manutenção do contrato é insustentável.
Motivação política
A Hutchison considera o processo politicamente motivado e sinalizou que recorrerá à arbitragem internacional se perder a licença. A China defende um ambiente justo para suas empresas e pode retaliar caso a companhia seja excluída. O impasse se soma à pressão dos EUA sobre países da região para limitar a presença chinesa, como visto no México. O vizinho dos EUA elevou tarifas sobre veículos chineses e barrou planos da BYD.
Cerca de 5% do comércio global passa pelo Canal do Panamá, pilar da economia do país. Após investir bilhões na ampliação do canal, o Panamá se tornou um hub logístico global, movimentando mais de nove milhões de contêineres por ano. Os portos operados pela Hutchison foram fundamentais nessa transformação, o que torna a decisão da Suprema Corte crucial não apenas para o Panamá, mas para as cadeias globais de comércio e transporte marítimo.

