Porto Alegre, 9 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro do arroz permanece lento, com baixa fluidez, poucas operações efetivas e referências predominantemente nominais, sem grandes novidades na formação dos preços. “A ausência de negócios recorrentes mantém compradores e vendedores cautelosos”, relata o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Conforme dados do Secex/MDIC, entre março e setembro deste ano, o Brasil exportou 1,145 milhão de toneladas e importou 1,123 milhão, em base casca, gerando superávit estreito de 22,19 mil toneladas.
No mesmo período de 2025/26, as exportações somaram aproximadamente 921,95 mil toneladas, as importações alcançaram 887,80 mil e o saldo positivo ficou em 34,15 mil toneladas.
Assim, as exportações cresceram 24,2%, mas as importações avançaram ainda mais, 26,5%, reduzindo o superávit em cerca de 35%, ou aproximadamente 12 mil toneladas. “O resultado agregado esconde movimentos opostos dentro da cadeia”, frisa Oliveira.
Arroz em casca e quebrados responderam por 82,8% das exportações, enquanto beneficiado e descascado concentraram 93% das importações. “Na prática, o Brasil registra forte saída de matéria-prima e quebrados, o que contribui para sustentar a origem, mas recebe grandes volumes de produtos processados”, pondera.
No ambiente financeiro, o dólar permanece ao redor de R$ 5,00, ainda limitando a conversão das receitas externas e mantendo a paridade brasileira afetada. “O curto prazo combina mercado físico travado, balança praticamente equilibrada, importações processadas elevadas e melhora parcial das referências internacionais”, destaca o analista. “A sustentação dependerá da cadência exportadora, da retenção na fonte e de uma reação mais consistente do mercado interno”, acrescenta.
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotado a R$ 84,05, queda de 0,24% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 4,01%. Em relação a 2025, a valorização atingia 42,87%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras
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