São Paulo, 5 de junho de 2026 – Passado o feriado da quinta, a expectativa é de uma sessão de baixa liquidez no mercado doméstico. No exterior, o clima é de maior tranquilidade, com petróleo, dólar e títulos recuando, enquanto as bolsas têm comportamento misto. Os investidores monitoram as negociações no Oriente Médio e aguardam a divulgação, logo mais, do payroll, com os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
“Lá fora, mercado precifica um ciclo de alta de juros em vários países, o que está pressionando as curvas de juros ao redor do mundo, levando alguma aversão à risco em ativos de risco (especialmente, de emergentes). Os dados do mercado de trabalho de maio nos EUA serão o destaque da agenda, e se torna o indicador de curto-prazo mais relevante. Por aqui, mercados locais deverão seguir sob pressão, em linha com exterior e fuga de recursos de estrangeiros”, avalia a Ajax Asset em relatório matinal.
No Oriente Médio, o Hezbollah rejeitou ontem o novo acordo de cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos entre Israel e o governo do Líbano, ampliando as incertezas sobre os esforços diplomáticos para encerrar o conflito regional e avançar nas negociações entre Washington e Teerã, segundo informações da agência Reuters.
A posição do Hezbollah representa um obstáculo relevante para as negociações entre Estados Unidos e Irã, já que Teerã tem condicionado qualquer acordo de paz com Washington à interrupção das operações militares israelenses no Líbano.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que há progresso nas negociações. Apesar disso, Israel manteve suas operações militares no sul do Líbano.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as tropas não serão retiradas do território libanês nem interromperão suas operações, iniciadas em março paralelamente à guerra contra o Irã. O comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana declarou que Israel deve, no mínimo, retornar às posições ocupadas antes do início do conflito.
Em relação ao payroll, a agência Dow Jones projeta a criação de 80 mil vagas em maio e a taxa de desemprego em 4,3%. O indicador é um dos principais levados em conta pelo Federal Reserve para conduzir a política monetária da principal economia do mundo. O prolongado conflito no Oriente Médio está fazendo o mercado projetar que até o final do ano o juro básico deverá subir nos Estados Unidos. Na Europa, a decisão sai na próxima semana e a perspectiva é de o BCE anuncie uma elevação.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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