São Paulo, 26 de maio de 2026 – Passado o feriado nos Estados Unidos e no Reino Unido, o mercado financeiro internacional procura um direcionamento, de olho nas negociações entre Irã e EUA em busca de uma solução para o conflito no Oriente Médio. Em termos domésticos, os investidores também acompanham o cenário político e os dados do setor externos divulgados pelo Banco Central.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que um acordo entre Washington e Teerã ainda pode levar alguns dias para ser concluído, reduzindo expectativas de encerramento imediato da guerra no Oriente Médio. As declarações ocorreram após novas ofensivas americanas contra alvos iranianos no sul do país, classificadas por Washington como ações defensivas.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, os ataques tiveram como alvo embarcações suspeitas de instalar minas marítimas e lançadores de mísseis iranianos. Rubio afirmou que o Estreito de Ormuz precisa permanecer aberto de um jeito ou de outro.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que mantém o direito de retaliar qualquer violação do cessar-fogo atualmente em vigor. Já o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que os países da região não serão mais escudo para bases americanas.
Apesar das tensões militares, Estados Unidos e Irã seguem negociando um memorando de entendimento destinado a encerrar o conflito e restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz. O acordo preliminar abriria espaço para negociações posteriores sobre temas mais complexos, incluindo o programa nuclear iraniano.
No Brasil, os participantes dividem as atenções do cenário externo com as movimentações em Brasília. Dois pontos merecem atenção: a corrida presidencial e os efeitos da relação Flávio Bolsona e Daniel Vorcaro; e as medidas anunciadas pelo governo, agregadas às movimentações no Congresso, e seus impactos fiscais.
As transações correntes do balanço de pagamentos foram deficitárias em US$1,8 bilhão em abril de 2026, ante déficit de US$1,6 bilhão em abril de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Na comparação interanual, o superávit da balança comercial registrou aumento de US$2,8 bilhões, contrabalançado pelos aumentos dos déficits em renda primária, US$1,8 bilhão, e em serviços, US$1,0 bilhão, e pela redução de US$0,1 bilhão do superávit em renda secundária.
O déficit em transações correntes acumulado em doze meses até abril de 2026 somou US$64,3 bilhões (2,66% do PIB), ante US$64,2 bilhões (2,70% do PIB) no mês anterior e US$73,9 bilhões (3,46% do PIB) em abril de 2025.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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