São Paulo, 31 de agosto de 2026 – O mercado financeiro global inicia a semana com maior aversão ao risco, resultado da tensão no Oriente Médio e reflexos ainda do discurso de sexta-feira do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em Jackson Hole. Os ativos locais deverão acompanhar a sinalização externa.
Forças norte-americanas atacaram no domingo dois lançadores de foguetes iranianos no Estreito de Ormuz, aumentando o risco de uma retomada mais ampla do conflito na região. Com isso, os preços do petróleo sobem mais de 3%.
Em discurso no simpósio de Jackson Hole na sexta-feira, Warsh afirmou estar impressionado com o desempenho da economia norte-americana, mas demonstrou preocupação com a inflação ainda acima da meta. Com isso, deixou aberta a possibilidade de elevar os juros nos próximos meses.
Os investidores aumentaram significativamente as apostas em uma alta dos juros já em setembro após o discurso. Os mercados monetários atribuíam nesta segunda-feira probabilidade de 60% a uma elevação na reunião de 16 de setembro, ante 35% antes da fala de Warsh na sexta-feira.
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus reduziram de 5,02% para 5,01% a previsão para a inflação medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Para 2027, as instituições financeiras elevaram de 4,25% para 4,28% a previsão para a inflação medida pelo IPCA.
As instituições reduziram de 1,95% para 1,92% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A projeção para 2027 ficou estável em 1,50%.
A pesquisa manteve em 13,75% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 14,00%, o que significa que o mercado espera um corte de 0,25 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Para 2027, a estimativa para a taxa Selic manteve-se em 12,00%.
A projeção para a taxa de câmbio em 2026 ficou estável em R$ 5,20 por dólar, enquanto a estimativa para 2026 manteve-se em R$ 5,30 por dólar. Quatro semanas atrás, a previsão para 2026 era igual, mas a estimativa para 2027 era menor, de R$ 5,28.
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, ante déficit de R$ 66,6 bilhões no mesmo mês de 2025. No Governo Central houve superávit de R$ 11,0 bilhões e nos governos regionais e nas empresas estatais, déficits respectivos de R$ 8,5 bilhões e R$ 1,1 bilhão. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 89,3 bilhões, equivalente a 0,67% do PIB, 0,52 p.p. do PIB inferior ao déficit acumulado até junho.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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