Preços da soja reagem no Brasil, mas negócios seguem moderados

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     Porto Alegre, 17 de dezembro de 2021 A semana foi de elevação nos preços da soja no mercado brasileiro, acompanhando a recuperação das cotações futuras em Chicago e do dólar firme. Mas a movimentação seguiu lenta, com os produtores retraídos, aguardando por um cenário ainda melhor neste encerramento de ano e priorizando as lavouras.

     Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 170,00 para R$ 174,00 na semana. Em Cascavel (PR), o preço avançou de R$ 163,00 para R$ 169,00. Em Rondonópolis (MT), a cotação aumentou de R$ 1,00 para R$ 156,00. No Porto de Paranaguá, o preço passou de R$ 168,00 para R$ 174,00.

     As estimativas da ABIOVE para 2021 sofreram ajustes. A produção cresceu 300 mil toneladas quando comparada à estimativa passada, para 138,3 milhões de toneladas, refletindo ganhos de produtividade.

     Em relação ao óleo de soja, a exportação estimada para 2021 também aumentou em relação à projeção anterior. Para o mercado doméstico, a ABIOVE aumentou ligeiramente o consumo projetado de óleo para fins alimentares, acompanhado, porém, de um recuo significativo do volume destinado à produção de biodiesel. Como resultado, estima a demanda interna em 8,2 milhões de toneladas, retração de 2% sobre a projeção passada.

      Para 2022, a ABIOVE estima nova e mais intensa redução do consumo doméstico de óleo de soja, para menos de 8,0 milhões de toneladas. Este volume fica aquém do valor registrado em 2020 (8,5 milhões de toneladas) e daquele esperado para 2021 (8,2 milhões de toneladas). O recuo deve-se, mais uma vez, a menor necessidade da matéria-prima para a produção de biodiesel no País, simultânea à estabilidade do consumo para fins alimentícios, e resulta no inevitável redirecionamento de parte significativa da produção nacional à exportação, agora projetada em 1,6 milhão de toneladas.

     A ABIOVE também revisou a sua estimativa de produção de soja in natura em 2022 para 144,8 milhões de toneladas, repercutindo em maiores exportação (recorde de 93,4 milhões de toneladas) e estoque de passagem.

     O esmagamento, projetado em 48 milhões de toneladas, cresce, mas a taxas bem menores do que aquelas esperadas para as demais variáveis. Especificamente, as projeções da ABIOVE para 2022 relativamente a 2021 apontam para um aumento anual de 5% da produção do grão, de 9% da exportação, 5% do seu estoque e de 3% do processamento. Não se descarta a possibilidade de reduzir a estimativa de processamento, diante dos estoques de passagem, especialmente para o farelo, e a depender da evolução dos fundamentos do mercado internacional.

     Semelhante à soja em grão, a ABIOVE também projeta exportação recorde de farelo, influenciada principalmente pelas perspectivas promissoras de venda para países do Sudeste Asiático. A estimativa do consumo doméstico de farelo de soja atinge 18,1 milhões de toneladas em 2022, superior aos volumes de 2019 e 2021, mas ainda aquém daquele observado em 2020, quando atingiu 18,9 milhões de toneladas.

     Os volumes importados serão mínimos, atendendo a necessidades residuais e, portanto, contribuindo para sinalizar para a plena capacidade da cadeia produtiva da soja no Brasil em atender tanto as necessidades domésticas quanto de exportação.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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