O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com preços mais firmes, sustentados pela baixa disponibilidade nas regiões produtoras, pela postura firme dos vendedores e pela necessidade pontual de recomposição por parte dos moinhos. Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o cenário reflete um ajuste no mercado interno diante da escassez no Sul e da crescente diferenciação entre lotes, especialmente em relação à qualidade.
No Paraná, a média FOB interior avançou 3% no mês, para R$ 1.407 por tonelada. No Rio Grande do Sul, o movimento foi mais intenso, com alta de 8%, levando a referência para R$ 1.295 por tonelada.
“O comportamento mostra um mercado mais ajustado, diante do volume reduzido disponível e da maior exigência por qualidade”, afirma Bento.
No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, a recuperação é ainda mais significativa. As cotações subiram 20% no Paraná e 25% no Rio Grande do Sul, sinalizando mudança relevante no equilíbrio do mercado desde o início do ano. Ainda assim, na comparação anual, os preços seguem abaixo, com queda de 9% no Paraná e de 10% no Rio Grande do Sul.
“Isso mostra que, apesar da reação no curto prazo, o mercado ainda está limitado por fatores externos, especialmente o câmbio”, explica o analista.
Referência argentina e câmbio limitam repasse da alta internacional
A Argentina, principal referência para a formação de preços no Brasil, manteve indicações nominais para produto com teor de proteína acima de 11,5% ao redor de US$ 240 por tonelada, estável no mês.
“No entanto, a estabilidade nominal argentina precisa ser analisada com cautela”, destaca Bento.
A forte valorização do trigo hard norte-americano, que avançou 7,8% em abril e acumula alta de 27% em 2026, indica que as cotações argentinas poderão ter que se ajustar à referência global, sobretudo para produto de melhor qualidade.
“Esse ponto ganha importância adicional diante das incertezas quanto ao padrão do trigo argentino disponível para exportação”, aponta o analista.
O câmbio mais fraco, por outro lado, atuou como principal fator de contenção, reduzindo o impacto interno da alta internacional e limitando avanços mais intensos pela paridade de importação.
“Mesmo com fundamentos domésticos altistas e pressão externa crescente, a valorização do real impede uma transmissão mais plena para os preços internos”, conclui Bento.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)
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