Porto Alegre, 21 de agosto de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços firmes, mas baixa liquidez. A valorização do cereal argentino, principal referência para a formação da paridade de importação brasileira, ganhou força ao longo dos dias e, combinada à alta do dólar, reforçou o viés de sustentação das cotações domésticas. Ao mesmo tempo, a demanda por farinha segue enfraquecida e mantém os moinhos cautelosos nas compras.
No Paraná, as referências permaneceram próximas de R$ 1.450 por tonelada FOB no interior, enquanto nos Campos Gerais a safra velha chegou a R$ 1.500/t CIF. Para a nova safra, as indicações variam de R$ 1.450/t CIF para setembro a R$ 1.400/t CIF para novembro. Os primeiros lotes começaram a ser colhidos no norte do estado, mas ainda em volume insuficiente para pressionar os preços.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, a qualidade do grão novo será determinante para a formação do mercado nas próximas semanas. “No curto prazo, o viés permanece de sustentação, principalmente diante de uma safra nacional menor e de uma reposição externa mais cara”, avalia.
No Rio Grande do Sul, as indicações ficaram entre R$ 1.320 e R$ 1.350/t FOB no interior. A comercialização permanece travada, com compradores próximos de R$ 1.320/t e vendedores pedindo cerca de R$ 1.350/t. A cobertura dos moinhos até o fim de setembro e a demanda fraca por farinha reduzem a necessidade de novas compras no curto prazo.
O clima também segue como fator de atenção para a nova safra gaúcha. O excesso de umidade, a baixa luminosidade e as dificuldades para realizar os tratos culturais aumentam os riscos de doenças e podem afetar produtividade e qualidade.
“A elevada umidade, a baixa luminosidade e as dificuldades para entrada nas áreas e realização dos tratos culturais aumentam a atenção para a incidência de doenças”, destaca Bento.
No mercado externo, a principal mudança da semana ocorreu na Argentina. A referência para o trigo com especificações adequadas à moagem avançou 7,8%, de US$ 230 para US$ 248 por tonelada. Segundo Bento, o mercado argentino também aponta uma oferta mais apertada de trigo com proteína, com escassez de produto de 11% e negócios admitindo tolerância para 10,5%.
“A valorização na Argentina coincide com a alta recente do dólar, reforçando o reflexo altista pela paridade de importação”, ressalta o analista. Com a expectativa de uma produção brasileira menor, a reposição externa mais cara reduz a possibilidade de as importações funcionarem como um limitador para os preços domésticos.
Apesar desse cenário, a entrada gradual da nova safra brasileira poderá aumentar a disponibilidade nas próximas semanas. O impacto sobre as cotações, porém, dependerá do volume colhido e, principalmente, da qualidade do trigo que chegar ao mercado.
Conab
A colheita das lavouras da safra 2026 atingiu 4,7% da área estimada nos oito principais estados produtores do Brasil (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul que representam 99,9% do total), conforme levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com dados recolhidos até 14 agosto. Na semana anterior, a ceifa estava em 3,3%. Em igual período do ano passado, o número era de 6,3%. A média dos cinco anos é de 6,1%.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Agência Safras)
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