O mercado brasileiro de soja teve uma semana de poucos negócios e preços sob pressão e nominais. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, janeiro segue praticamente sem janela para a exportação, o que reduz a necessidade de compra e mantém o mercado travado.
Com poucas ofertas e o produtor ainda retraído, os preços acabaram cedendo. Silveira aponta que as quedas ficaram na faixa de R$ 0,50 a R$ 1,00 por saca, em um cenário com poucas novidades. “O foco começa a migrar para a colheita da safra nova”, resume.
A saca de 60 quilos recuou de R$ 136,00 para R$ 134,00 na semana, em Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço baixou de R$ 135,00 para R$ 127,00 no período. Em Rondonópolis (MT), a cotação subiu de R$ 110,00 para R$ 116,00. No porto de Paranaguá, a saca avançou de R$ 128,00 para R$ 135,00.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em março acumularam valorização semanal de 2,03%, sendo cotados, na manhã da sexta, 9, a US$ 10,67 por bushel. O mercado encontrou suporte na primeira semana do ano na alta do preço do petróleo e, principalmente, no sentimento de aquecimento da demanda chinesa pela soja americana.
A reação, no entanto, segue limitada pela expectativa de ampla oferta global da oleaginosa. Brasil e Argentina não apresentam maiores problemas para confirmar bons potenciais produtivos. No cenário fundamental, o ingresso de safras cheias destes dois países segue pesando.
Para o início da próxima semana, as atenções estarão voltadas para o relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na segunda, às 14h.
O USDA deverá indicar redução na projeção para a safras dos Estados Unidos em 2025/26. Os estoques de passagem americanos devem ser revisados para cima. Analistas consultados pelas agências internacionais indicam que o número para a safra americana deverá ser cortado de 4,253 bilhões para 4,232 bilhões de bushels. Para os estoques americanos em 2025/26 a previsão deverá ficar em 301 milhões de bushels, contra 290 milhões previstos em dezembro.
Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2025/26 de 123,1 milhões de toneladas. Em dezembro, o número ficou em 122,4 milhões.
Os estoques trimestrais norte-americanos de soja na posição 1o de dezembro deverão ficar acima do número indicado pelo USDA em igual período de 2024. A projeção é de analistas e corretores entrevistados pelas agências internacionais, que indicam estoques trimestrais de 3,296 bilhões de bushels. O relatório trimestral será divulgado às 14hs, na segunda, dia 12. Em igual período de 2024, o número era de 3,1 bilhões de bushels.
Dylan Della Pasqua / Safras News
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