Porto Alegre, 20 de fevereiro de 2026 – Na semana pós-Carnaval, o mercado de feijão carioca atuou em compasso de espera, com liquidez muito baixa nos pregões da madrugada, influenciada pela semana encurtada pelo feriado e pela priorização de vendas diretas por amostra e embarque. As informações são do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, que ainda destaca que o movimento não reflete fraqueza estrutural, mas uma gestão deliberada da oferta pelos vendedores, buscando preservar margens em um cenário de preços historicamente elevados.
Os preços FOB de origem consolidaram níveis elevados e consistentes: Interior paulista testou até R$ 330/sc, Norte Goiano e Sul do Paraná chegaram a R$ 326/sc, e Leste Goiano apontou até R$ 312/sc para grão extra. Mesmo com o pregão silencioso, as negociações diretas injetaram alta nas origens.
“A indústria manteve postura conservadora, comprando apenas o necessário para honrar entregas programadas, mantendo estoques baixos e abrindo espaço para recomposição de posições a partir da próxima semana. O ambiente atual reflete escassez real de oferta e atraso de colheita (53,1% da área, abaixo da média histórica), o que sustenta o viés altista no curto prazo”, explicou Oliveira.
Oposto ao carioca, feijão preto tem menos euforia e mais resiliência
Já o mercado do feijão preto, por sua vez, acompanhou o movimento de alta, mas com ritmo mais cadenciado e seletivo. Conforme o analista, a retomada pós-feriado foi marcada por valores consolidados acima de patamares que fortalecem margem do produtor, embora a liquidez tenha permanecido baixa.
Referências FOB indicam preços firmes por regiões: Interior paulista com negócios pontuais até R$ 205/sc, Sul do Paraná operou até R$ 188/sc, e Oeste Catarinense manteve cerca de R$ 176/sc. Essa faixa indica que, apesar de menos intensa que no carioca, a valorização estrutural do feijão preto continua, sustentada por manejo cauteloso da oferta e foco em padrão Tipo 1.
De acordo com o especialista de Safras & Mercado, a postura de compras é granular e seletiva, com compradores analisando qualidade antes de validar preços mais altos. O resultado é um mercado tecnicamente resiliente e alinhado com fundamentos de estoque e produção, ainda sem sinais de correção descendente no curto prazo.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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