Porto Alegre, 22 de maio de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com baixa liquidez. Os negócios foram pontuais e os preços tiveram suporte da escassez de oferta da safra velha e pelas preocupações climáticas envolvendo a nova temporada.
Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, o ambiente de negócios permaneceu travado ao longo da semana, marcado pelo descompasso entre compradores e vendedores. Enquanto produtores e detentores de estoques elevaram as pedidas diante da oferta restrita, os moinhos mantiveram postura cautelosa nas aquisições, enfrentando dificuldades para repassar os custos mais altos ao mercado de farinha.
No início da semana, o mercado apresentou viés de alta, impulsionado pela valorização das bolsas internacionais e pela elevação das paridades de importação. No Paraná, as indicações ficaram próximas de R$ 1.450 por tonelada FOB, enquanto no Rio Grande do Sul o mercado consolidou referências ao redor de R$ 1.300 por tonelada, apesar da resistência da indústria em aceitar reajustes mais intensos.
A preocupação com o clima ganhou força no decorrer da semana. A seca nas regiões do Cerrado passou a afetar o plantio e já indica perdas no potencial produtivo da safra nova, reforçando a percepção de um cenário mais apertado para a oferta doméstica nos próximos meses.
“A redução do potencial produtivo brasileiro tende a ampliar ainda mais a dependência de importações. Ao mesmo tempo, os compradores seguem atentos ao aumento do custo de reposição, especialmente diante da valorização internacional do cereal e dos preços firmes na Argentina”, analisa Bento.
No Rio Grande do Sul, vendedores indicavam valores próximos de R$ 1.350 por tonelada FOB interior, enquanto os moinhos trabalhavam com referências mais próximas de R$ 1.300, mantendo limitada a liquidez.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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