Porto Alegre, 17 de julho de 2026 – O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) caiu 1,13% em julho. No mês de junho, a taxa havia sido de ‑0,30%. Com este resultado, o índice acumula alta de 2,00% no ano e de 2,68% em 12 meses. Em julho de 2025, o IGP-10 havia caído 1,65% e acumulava alta de 3,42% em 12 meses.
“O IGP-10 intensificou seu recuo em relação a junho. Esse resultado foi consequência direta da redução das tensões entre os Estados Unidos e o Irã no Estreito de Ormuz, o que contribuiu para a queda dos preços do petróleo e de seus derivados, sobretudo dos combustíveis. Esses produtos têm reagido, com curta defasagem, às oscilações no preço do barril de petróleo, tanto no IPA quanto no IPC. Há, porém, casos em que o recuo não ocorreu de forma tão imediata. Há itens da cadeia petroquímica cuja dinâmica é distinta e que operam com defasagens mais longas. Como exemplo, temos os óleos lubrificantes, que subiram 21% em junho e agora avançam mais 13%. Parte das explicações é de natureza macroeconômica. A elevada incerteza observada no período tem provocado pressões na cadeia global de suprimentos, com escalada dos fretes marítimos, volatilidade cambial e alta dos óleos básicos, que geram aumento de custos nos contratos. Diante da recente escalada das tensões entre os países e da persistência de seus impactos sobre os preços do petróleo, a expectativa é de manutenção da pressão sobre os óleos derivados ao longo do mês, com consequente repasse de custos em diferentes etapas da cadeia produtiva”, afirma Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
IPA cai 1,76% em julho
Em julho, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 1,76%, aprofundando a queda em sua taxa em comparação à registrada no mês anterior, de 0,71%. Analisando os diferentes estágios de processamento, o grupo de Bens Finais caiu 0,44% em julho, registrando uma inversão em sua taxa em relação à alta de 0,49% observada no mês anterior. Em movimento oposto, o índice de Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, passou de -0,14% em junho para -0,07% em julho. A taxa do grupo Bens Intermediários registrou alta de 0,78% em julho, acelerando em relação ao mês anterior, quando havia registrado alta de 0,57%. Em movimento oposto, o índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, desacelerou de 0,24% em junho para 0,11% em julho. Por fim, o estágio das Matérias-Primas Brutas intensificou a queda para 4,47% em julho, após cair 2,39% em junho.
IPC sobe 0,23% em julho
Em julho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,23%, apresentando desaceleração em relação ao mês anterior, quando o índice subiu 0,56%. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, cinco classes apresentaram recuo: Alimentação (1,23% para ‑0,22%), Habitação (0,93% para 0,38%), Vestuário (0,74% para ‑0,65%), Despesas Diversas (1,29% para 0,80%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,44% para 0,40%). Em contrapartida, três classes de despesa exibiram aumento em suas taxas de variação: Transportes (‑0,49% para 0,12%), Educação, Leitura e Recreação (0,23% para 0,61%) e Comunicação (0,12% para 0,85%).
INCC sobe 0,65% em julho
Em julho, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,65%, porém inferior à taxa de 0,92% observada em junho. Analisando os três grupos componentes do INCC, observam-se movimentações distintas nas suas respectivas taxas de variação na transição de junho para julho: o grupo Materiais e Equipamentos recuou de 1,08% para 0,46%; o grupo Serviços retrocedeu de 0,45% para 0,17%; e o grupo Mão de Obra teve alta de 0,80% para 0,96%.
As informações são da Fundação Getúlio Vargas.
Revisão: Rodrigo Ramos / Agência Safras
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