Porto Alegre, 2 de abril de 2026 – O mercado spot segue com baixa liquidez, refletindo um ambiente de negociações pontuais e forte assimetria entre oferta e demanda. No Rio Grande do Sul, as cotações permanecem firmes (R$ 58–62/sc indústria; até R$ 65–70/sc nobre), sustentadas pela retenção de oferta por parte do produtor.
‘”Essa postura, motivada por preços abaixo do custo, reduz a disponibilidade imediata e cria uma falsa escassez. Por outro lado, a indústria opera de forma reativa, com compras apenas para reposição imediata, evitando alongamento de posição”, explicou o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
A formação de preços apresenta forte componente psicológico, com pouca aderência ao fluxo físico. No curto prazo, há suporte técnico; no médio, o elevado estoque de passagem e a baixa execução comercial indicam pressão potencial.
De acordo com Oliveira, a paridade de exportação segue como principal referência de escoamento, porém com execução limitada. Apesar da demanda externa ativa, o atendimento ficou abaixo de 30–40%, indicando perda de competitividade operacional mais do que de preço. O câmbio atua como variável relativamente favorável, mas insuficiente frente à baixa agressividade comercial. No Mercosul, a pressão competitiva permanece ativa, com países ofertando e buscando escoamento, ainda que com queda de receita (caso do Paraguai).
“O fluxo internacional mostra oportunidade no curto prazo, especialmente antes da entrada da oferta asiática no segundo semestre. A incapacidade de captura dessas janelas reforça risco de deterioração da paridade futura”, apontou.
O analista também relatou que a indústria opera sob compressão de margens, impactada por custos elevados e dificuldade de repasse integral ao varejo. A necessidade de originar produto em um ambiente de oferta restrita eleva o custo de aquisição, enquanto o preço final não acompanha na mesma proporção. “Esse desalinhamento reduz a eficiência do beneficiamento. A atuação segue defensiva, com foco em giro curto e minimização de risco de estoque. O cenário indica estabilidade operacional no curto prazo, mas com viés de pressão caso o fluxo de matéria-prima normalize abruptamente”, disse.
No campo, custos elevados – especialmente diesel e frete – seguem como principais gargalos, reduzindo a eficiência logística e pressionando margens. Episódios de especulação no diesel agravaram a operação de colheita. No escoamento, o custo logístico compromete a competitividade e limita o alcance de políticas como PEP/PEPRO. No curto prazo, há suporte; no médio, a normalização da oferta combinada aos custos pode intensificar pressão sobre preços.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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