Porto Alegre, 29 de janeiro de 2026 – Durante coletiva de imprensa, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) apresentou os principais Indicadores da Indústria de Café 2025, reforçando a maturidade do mercado brasileiro, a qualidade das informações coletadas e o papel do país como uma das cadeias cafeeiras mais completas e dinâmicas do mundo. Segundo a entidade, os dados divulgados refletem com precisão o comportamento do consumo nacional, especialmente nas gôndolas do varejo, onde ocorre o consumo em larga escala.
De acordo com a ABIC, o consumo total de café no Brasil somou 21,4 milhões de sacas em 2025, o que representa uma queda de 2,31% em relação ao ciclo anterior. O consumo per capita também recuou, reflexo da combinação entre preços elevados, inflação e crescimento populacional.
Os números mostram avanço consistente dos cafés com certificação de qualidade. O segmento de cafés especiais, embora ainda represente menos de 1% do mercado, apresentou crescimento expressivo, enquanto os cafés sustentáveis registraram alta de 31% no número de produtos certificados. A ABIC destacou que essa evolução está diretamente ligada à confiança do consumidor e ao histórico de monitoramento da entidade, que já acumula cerca de 200 mil análises de produtos desde a criação do Selo de Pureza.
Além dos dados de mercado, a ABIC aproveitou a coletiva para apresentar três projetos prioritários para 2026: a Gôndola Certificada ABIC, que amplia a parceria com o varejo; o ABIC no Mundo, voltado à valorização do café brasileiro como produto acabado no mercado internacional; e o fortalecimento do Protocolo Brasileiro de Avaliação de Cafés Torrados, único no mundo, com foco na capacitação de avaliadores e na padronização da qualidade entregue ao consumidor final.
Preços para o consumidor em 2026
Na avaliação da ABIC, para o consumidor final a tendência em 2026 não é de queda significativa nos preços do café, mas de pequenas variações ao longo do ano, especialmente com a entrada de uma safra considerada muito boa. A entidade explicou que, apesar da redução da volatilidade, o mercado tende a permanecer lateralizado em função dos estoques globais ainda desabastecidos. Esse ambiente mais estável, segundo a ABIC, permite algum arrefecimento nos preços e dá às indústrias maior conforto para realizar coberturas futuras, o que pode se refletir em ações promocionais pontuais no varejo, estimulando compras adicionais e ajudando na recuperação do consumo após a queda registrada em 2025.
Outro ponto abordado foi a atuação conjunta da cadeia do café em questões comerciais internacionais. A ABIC destacou que o café é uma das cadeias mais unidas, com discurso alinhado “da planta à xícara”. A entidade relembrou o esforço coletivo desde abril, quando ordens executivas nos Estados Unidos estabeleceram alíquotas de 10% e, posteriormente, 40%, até a retirada dessas tarifas em novembro. Mesmo com a exclusão inicial do café solúvel, a articulação entre setor privado, entidades brasileiras e norte-americanas e o setor público, com apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin, da Apex e do Ministro da Cultura, manteve-se ativa. A leitura da ABIC é que, pelo peso do Brasil nas exportações para os Estados Unidos, a reversão completa dessas medidas é uma questão de semanas ou poucos meses.
Sara Lane – sara.silva@safras.com.br (Safras News)
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