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Conflito, indicadores, Focus e futuro dos juros na pauta

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São Paulo, 8 de junho de 2026 – A semana inicia com os participantes do mercado financeiro global refazendo suas projeções sobre o futuro da política monetária aqui e no exterior. Dois pontos seguem no radar: as renovadas tensões no Oriente Médio e os indicadores de desempenho da economia. O mercado se mostra cauteloso e com maior aversão ao risco.

 

No exterior, Israel realizou nesta segunda-feira ataques contra um complexo petroquímico no sudoeste do Irã e outros alvos militares iranianos, ampliando as tensões no Oriente Médio apesar dos esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para alcançar um acordo com Teerã. As informações são da Reuters.

 

Segundo autoridades israelenses, os ataques atingiram instalações do complexo petroquímico de Mahshahr, no primeiro bombardeio contra um ativo energético dentro do Irã desde o cessar-fogo firmado em 8 de abril. Autoridades iranianas confirmaram danos em partes da instalação, enquanto a mídia estatal informou que cinco linhas de produção do complexo já haviam sido atingidas desde o início da guerra, em fevereiro.

 

O Exército israelense afirmou posteriormente ter conduzido uma operação em larga escala contra sistemas de defesa iranianos, com o objetivo de reduzir a capacidade de resposta aérea de Teerã. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) acusou os Estados Unidos de responsabilidade pelos novos ataques israelenses e advertiu que ações contra instalações energéticas e alvos civis poderão gerar consequências para a economia mundial. A IRGC afirmou ainda ter lançado mísseis contra uma instalação petroquímica semelhante na cidade israelense de Haifa.

 

Iniciando a temporada de definição dos juros, o Banco Central Europeu (BCE) deverá elevar sua taxa básica na reunião desta quinta-feira, marcando o primeiro aumento em quase três anos e tornando-se o primeiro grande banco central a reagir ao choque inflacionário provocado pela guerra no Oriente Médio.

 

A expectativa predominante do mercado é de uma alta de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa de depósito para 2,25%, ante os atuais 2,0%. Apesar da expectativa de aperto monetário, economistas avaliam que o BCE deverá adotar uma postura cautelosa em relação aos próximos passos, diante do enfraquecimento da economia da zona do euro. Os investidores projetam, no máximo, três aumentos de juros neste ciclo, o que levaria a taxa para 2,75%.

 

No radar para o restante da semana, importantes indicadores, principalmente as estimativas de inflação nos Estados Unidos.

 

No Brasil, as instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus elevaram de 13,25% para 13,50% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 14,50%, o que significa que o mercado espera um corte de 1,00 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Há quatro semanas, a estimativa para a Selic ao fim de 2026 estava em 13,00%.

 

Para 2027, a estimativa para a taxa Selic subiu de 11,25% para 11,50%. Há quatro semanas, a estimativa para a Selic ao fim de 2026 estava em 11,25%.

 

A projeção para a taxa de câmbio em 2026 diminuiu de R$ 5,16 para R$ 5,15 por dólar, enquanto a estimativa para 2026 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20 por dólar. Há quatro semanas, a previsão para 2026 era de R$ 5,20, enquanto a previsão para 2026 estava em R$ 5,30.

 

As instituições elevaram de 5,09% para 5,11% a previsão para a inflação medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. A previsão de inflação nos preços administrados – que são controlados por contrato ou pelo poder público – ficou estável em 4,98%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo Indice Geral de Preços – Mercado  (IGP-M) subiu de 6,00% para 6,10%.

 

Para 2027, as instituições financeiras elevaram de 4,02% para 4,03% a previsão para a inflação medida pelo IPCA. A previsão de inflação nos preços administrados em 2027 aumentou de 3,81% para 3,84%, enquanto a projeção para a inflação medida pelo IGP-M manteve-se em 4,00%.

 

A pesquisa elevou de 1,90% para 1,91% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A projeção para 2027 ficou estável em 1,70%. O BC estima que a economia brasileira crescerá 1,6% em 2026, segundo a edição mais recente do Relatório de Política Monetária (RPM), publicada em março.

 

Atenções para o IPCA de maio que será divulgado na sexta. Brasil e Estados Unidos definem o rumo dos juros nos dias 16 e 17.

 

Dylan Della Pasqua / Safras News

 

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