Porto Alegre, 17 de março de 2026 – As exportações brasileiras de arroz na temporada comercial março de 2025 a fevereiro de 2026 somaram 1,89 milhão de toneladas (base casca), acima das 1,36 milhão embarcadas no ciclo anterior, segundo dados do ComexStat. No mesmo período, as importações recuaram para 1,38 milhão de toneladas, ante 1,47 milhão no ano anterior, resultando em um superávit de aproximadamente 500 mil toneladas – uma reversão frente ao déficit de cerca de 110 mil toneladas registrado anteriormente.
“A balança comercial se mostrou mais favorável ao Brasil, muito perto da meta de 2 milhões de toneladas, contribuindo para aliviar parcialmente a pressão de oferta no mercado doméstico”, explicou o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Na avaliação dele, o país voltou a se aproximar da meta de 2 milhões de toneladas exportadas, o que contribui para aliviar, ainda que parcialmente, a pressão de oferta no mercado doméstico.
O avanço das exportações foi puxado principalmente por produtos de menor valor agregado. As vendas externas de arroz em casca alcançaram 786,2 mil toneladas, alta de 87% na comparação anual, enquanto o arroz quebrado somou 796,2 mil toneladas, crescimento de 39%.
Segundo Oliveira, esse movimento confirma uma mudança recente no perfil das exportações brasileiras, com maior participação de matéria-prima e subprodutos, tendência que vem se consolidando no comércio do cereal.
Entre os destinos, houve forte concentração em mercados específicos. No segmento de arroz quebrado, o Senegal se manteve como principal comprador, com 513 mil toneladas, reforçando o papel estrutural da África Ocidental nesse mercado. Já no arroz em casca, o crescimento foi liderado pela Venezuela, que importou 368,7 mil toneladas, avanço expressivo frente ao ciclo anterior. Também foram volumes significativo para o México (165,3 mil t) e Costa Rica (156,7 mil t). Para Oliveira, esse desempenho evidencia a ampliação da presença brasileira na América Latina e no Caribe.
No fluxo inverso, as importações também mostraram mudanças na composição. As compras de arroz descascado (esbramado) atingiram 583,7 mil toneladas, alta de 31,9%, consolidando-se como um dos principais itens da pauta importadora.
“Por outro lado, as importações de arroz beneficiado recuaram 30%, para 692,1 mil toneladas, sugerindo um deslocamento gradual da pauta importadora em direção a produtos menos processados, possivelmente associados ao maior aproveitamento da capacidade industrial doméstica”, apontou o especialista.
Apesar da queda no beneficiado, o Paraguai segue como principal fornecedor externo, com 465,3 mil toneladas, ligeiramente acima do volume do ciclo anterior.
Ritiele Rodrigues (ritiele.rodrigues@safras.com.br) / Safras News
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