No mercado disponível, a oferta de arroz segue extremamente restrita. “Grande parte do cereal permanece concentrada nas mãos de produtores capitalizados, que não demonstram urgência de venda e mantêm postura de retenção estratégica”, explica o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Essa retenção é o principal fator de sustentação momentânea das cotações. “O arroz velho praticamente desapareceu do mercado, mesmo diante de compradores dispostos a pagar cerca de R$ 55 por saca FOB Fronteira Oeste livre ao produtor”, exemplifica.
Ao mesmo tempo, o arroz novo começa a ingressar gradualmente, porém em volumes ainda muito limitados, o que impede a formação de referências sólidas de preço. “Apesar desse quadro de escassez momentânea, a reação de preços observada recentemente é considerada frágil”, pondera o analista.
Para Oliveira, o mercado vem criando uma percepção de alta que não encontra respaldo na demanda real, o que aumenta o risco de retração vendedora e distorce a leitura do mercado.
O preço-base nacional do arroz em casca oscila entre R$ 1,00 e R$ 1,25/kg, enquanto negócios acima de R$ 55/sc ocorrem apenas de forma pontual, geralmente associados à reposição imediata de indústrias ou demandas específicas.
No segmento industrial, a dificuldade de repasse no mercado de fardos segue severa, limitando a capacidade de absorção de aumentos na matéria-prima. “Em alguns casos, tentativas mais agressivas de valorização do casca têm provocado reação imediata das indústrias, que reduzem compras ou até suspendem temporariamente vendas de produto beneficiado”, frisa o consultor.
A média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 56,46, alta de 1,83% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 5,57%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingia 36,21%.
Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News
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