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Line up aponta exportação de 1,5 mi t de açúcar

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Porto Alegre, 6 de novembro de 2026 – O total de navios que aguarda para embarcar açúcar nos portos brasileiros estava em 42 na semana encerrada em 4 de novembro. Conforme o relatório, está agendado carregamento de 1,505 milhão de toneladas de açúcar, ante 1,884 milhão de toneladas na semana anterior. Pelo Porto de Santos (SP) deve ser carregada a maior parte (1.046.240 toneladas). Depois aparecem o porto de Paranaguá, no Paraná (324.230 toneladas), Maceió, nas Alagoas (31,5 mil toneladas)  Recife, em Pernambuco (56,486 mil toneladas), e Suape, em Pernambuco (47 mil toneladas).

 

A carga de açúcar a ser exportada consiste da variedade VHP (1.244.060 toneladas), Cristal B-150 (124,330 mil toneladas), VHP em sacas (equivalente a 64 mil toneladas), Refinado A45 (70.000 toneladas) e TBC (20 mil toneladas). O relatório da agência leva em conta as embarcações já ancoradas, as que estão em largo esperando atracação e ainda as com previsão de chegada até o dia 4 de dezembro.

 

Rabobank projeta produção de 37,4 mi de toneladas no Centro-Sul em 2026/27

 

As perspectivas para o setor de cana em 2027 começaram a mudar no segundo semestre de 2026. No final de julho, o mercado internacional começou a perceber tanto o impacto das chuvas atípicas ao longo dos primeiros meses da safra 2026/27 sobre a moagem, o mix e a produtividade dos canaviais quanto as possíveis consequências da continuidade dessas condições climáticas pelo restante do ano, segundo o relatório Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2027, do Rabobank.

 

Até o final de setembro de 2026, a moagem no Centro-Sul atingiu 482 milhões de toneladas, conforme o MAPA, levemente abaixo dos 490 milhões de toneladas moídos no mesmo período da safra 2025/26. Em contraste, a produção de açúcar até o final de setembro de 2026, de 28,9 milhões de toneladas, ficou 4,6 milhões de toneladas abaixo dos 33,5 milhões de toneladas da safra 2025/26.

 

Embora o preço em Nova Iorque tenha pegado o elevador e subido rapidamente de 14,5 US c/lp para mais de 20,0 US c/lp em decorrência desses sinais do Brasil, a prioridade das usinas no segundo semestre foi maximizar a moagem, objetivo incompatível com a maximização da produção de açúcar. Enquanto isso, o clima ainda ameaça frustrar o esforço do setor para moer toda a cana disponível no campo em 2026/27.

 

O resultado de tudo isso é que o mercado teve de reavaliar suas expectativas para a produção de açúcar no Brasil na safra 2026/27. Isso contribuiu para zerar um excedente global inicialmente projetado para o ano-safra internacional de 2025/26 (out-set), e baixando o volume de açúcar brasileiro que se esperava estar disponível para exportação no primeiro semestre de 2027. Por isso, em outubro de 2026, os contratos de 2027 em Nova Iorque registravam preços inimagináveis no início da safra, em abril de 2026. O que isso sinaliza sobre as expectativas para a safra 2027/28 no Centro-Sul?

 

A safra 2027/28 no Centro-Sul poderia bater recordes, caso alcançasse 655 milhões de toneladas ou mais, com as chuvas de 2026 criando condições para uma produtividade elevada em 2027, além de possivelmente haver entre 20 e 30 milhões de toneladas de cana bisada a moer.

 

Com o preço do açúcar em alta, as usinas têm corrido para recuperar o tempo perdido na fixação de preços para a safra 2027/28. A oferta de etanol deve continuar crescendo com a expansão da produção de etanol de milho, pressionando os preços do combustível, e é grande a chance de 2027/28 ser uma safra açucareira. O RaboResearch projeta que a produção de açúcar no Centro-Sul alcance 37,4 milhões de toneladas em 2026/27. Caso a safra 2027/28 atingir 655 milhões de toneladas, com um mix de 49,5% destinado ao açúcar, isso poderia gerar 42,5 milhões de toneladas de açúcar. Será que o mercado global conta com um aumento dessa magnitude?

 

A resposta vem da Ásia. É claro que a Tailândia, o segundo maior exportador de açúcar do mundo, produzirá menos açúcar na safra 2026/27, que se inicia no último trimestre de 2026. Mas isso parece ter menos relação com o El Niño e ser muito mais consequência da substituição de áreas plantadas. Os produtores de cana optaram por plantar menos cana e mais cassava (mandioca), em razão do baixo preço projetado para a cana e do forte aumento do preço dos fertilizantes.

 

Na India, as monções têm ficado muito abaixo do normal na região oeste do país. Em outubro, o governo determinou que o setor de cana deveria maximizar a produção de açúcar, zerando sua contribuição para a produção de etanol combustível em 2026/27. Fontes locais projetam a produção em 26,5 milhões a 27,0 milhões de toneladas, ante 28,0 milhões de toneladas, após destinar 2,8 milhões de toneladas ao etanol.

 

Se as expectativas de produção abaixo de 28,0 milhões de toneladas se concretizarem, a necessidade de ampliar as importações em 2027 será quase inevitável. Mas nem toda a Ásia espera uma produção menor. Depois de produzir 13,0 milhões de toneladas de açúcar em 2025/26, sua maior safra em 12 anos, a China, que disputa com a Indonésia o posto de maior importador de açúcar do mundo, parece prestes a manter esse nível de produção em 2026/27. Isso reduz significativamente sua necessidade de importação.

 

Juntando tudo, o RaboResearch projeta um déficit global de 2,2 milhões de toneladas para o ano-safra internacional de 2026/27, sugerindo que um aumento da produção de açúcar no Brasil em 2027 não necessariamente criaria um desequilíbrio no mercado internacional. E não se pode descartar a possibilidade de um choque causado pelo El Niño em um dos grandes países produtores da Ásia.

 

Enquanto isso, os fundos, que turbinaram o rali dos preços em agosto, poderiam exercer pressão baixista caso houvesse uma mudança de sentimento ou um choque macroeconômico. A projeção preliminar do RaboResearch para o preço em Nova Iorque em 2027 é de 17,0 a 19,0 US c/lp. Enquanto isso, o conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz gerando estresse no mercado de petróleo e derivados. O governo brasileiro reagiu inicialmente à elevação dos preços internacionais da gasolina por meio de um subsídio, mas, em setembro, retirou o subsídio e, em seu lugar, suspendeu os impostos federais.

 

   Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência Safras

 

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