Porto Alegre, 06 de novembro de 2026 – A semana foi de novas perdas para o café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que baliza a comercialização global da commodity. O dólar em alta contra o real no Brasil, que estimula e dá maior competitividade às exportações do país, e a melhora no fluxo de oferta global pressionaram as cotações. O robusta teve comportamento melhor em Londres, diante de aspectos técnicos especialmente, mas com temores também envolvendo os efeitos do El Niño em nações produtoras.
Em NY, o mercado cede com o sentimento de melhora na oferta global. O Brasil vem embarcando amplos volumes neste segundo semestre de 2026, devendo os números de outubro serem fechados superando até mesmo a marca de 5 milhões de sacas. O Vietnã também vem com bons embarques para o robusta, o que traz maior tranquilidade quanto ao abastecimento. A expectativa de melhora nos números de estoques certificados em NY também é um aspecto baixista.
As condições climáticas até aqui para a safra 2027 brasileira são consideradas boas, com chuvas para as regiões produtoras terem suas floradas e pegamento dessas floradas. Porém, será uma safra desuniforme na maturação e de muitas incertezas quanto à qualidade, além da produtividade. E agora em novembro e dezembro o fenômeno El Niño promete trazer chuvas mais irregulares e temperaturas elevadas, o que gera apreensões.
A chegada da safra de robusta no Vietnã é um aspecto baixista no mercado, mas o robusta em Londres teve uma semana de ganhos com reações técnicas e também com temores envolvendo o El Niño. Houve movimentos de recompra de posições vendidas, e no curto prazo a oferta ainda é curta para o robusta, em que pese a expectativa de melhora no fluxo com a entrada da safra vietnamita.
Como destaca o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, outro fator que mexe com o mercado é a mudança das posições na Bolsa de NY de dezembro para a frente, com o período de vencimento de opções e notificação de entregas se aproximando. Março passa a ser a referência e esses reajustes nas carteiras mexem com as atividades na bolsa.
No balanço semanal, entre as últimas quintas-feiras (29 de outubro e 05 de novembro), na Bolsa de NY, o contrato março/2027 acumulou queda de 5,7%, caindo de 285,45 centavos de dólar por libra-peso no fechamento do dia 29/10 para 269,25 centavos em 05/11. O robusta em Londres teve alta de 2% no mesmo comparativo no contrato janeiro/2027.
No mercado brasileiro, cautela entre compradores e vendedores, com os produtores dosando a oferta, o que garantiu suporte às cotações do arábica, apesar das perdas na Bolsa de NY. O dólar comercial acumulou alta de 1,9% entre os dias 29 de outubro e 05 de novembro, fornecendo suporte às cotações do café em reais no país.
No balanço semanal, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, ficou estável entre as últimas quintas-feiras, em R$ 1.650,00 a saca na base de compra. No balanço do conilon, o tipo 7, base de compra em Vitória/Espírito Santo, subiu de R$ 960,00 para R$ 975,00 a saca, alta acumulada de 1,6%.
Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Agência Safras)
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