Porto Alegre, 6 de novembro de 2026 – Uma nova frente fria deve trazer chuvas torrenciais e risco de temporais a grande parte da região Sul nesta sexta-feira (6) e sábado (7), segundo o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos. Os mapas de tempo severo indicam maior risco no sul, sudoeste e oeste do Paraná, no oeste de Santa Catarina e no sul do Paraguai. “Não descartamos novamente a possibilidade de que tudo o que aconteceu essa semana venha a ocorrer novamente sobre as regiões oeste de Santa Catarina e sul do Paraná, com queda de granizo”, alertou.
O alerta de granizo se estende também ao sul de São Paulo e ao sul de Minas Gerais. Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais devem ter chuvas em alguns pontos. De acordo com Santos, o fim de semana será marcado pelo retorno dos temporais em áreas produtoras do extremo norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e sul e sudeste de Minas Gerais.
Já a metade sul do Rio Grande do Sul, incluindo Fronteira Oeste, Campanha e Fronteira Leste, além do Uruguai e do sul da Argentina, segue com pouquíssima chuva. Segundo o agrometeorologista, isso ocorre porque as frentes frias estão se formando mais ao norte, entre o norte da Argentina e a região do Paraguai, influenciadas pelo forte aquecimento do Pacífico Leste. “Infelizmente, entre hoje e amanhã a gente poderá ver novamente relatos de chuvas torrenciais no Paraná, São Paulo e Santa Catarina, além, lógico, do Paraguai”, afirmou.
Ao longo da próxima semana, a frente fria avança para Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Maranhão, deixando o tempo instável. No Sul, o tempo abre com a chegada de uma massa de ar polar. “Nós estamos na segunda semana de novembro, e uma massa de ar polar avançará no começo da semana. Com temperaturas entre 9 e 7 graus”, destacou. Com isso, a região Sul e boa parte do Centro-Oeste devem ficar sem chuvas ou com precipitações bastante irregulares.
Santos afirmou que o Cerrado começará a registrar um padrão típico de El Niño. “Não é uma ausência total de chuvas sobre as regiões do Cerrado, mas chuvas mais irregulares, ou seja, chove muito bem numa região, até com fortes volumes, tipo 80, 100 milímetros, e numa região vizinha nada de chuva ou volumes extremamente baixos”, explicou.
O agrometeorologista rebateu questionamentos sobre a influência do fenômeno e apresentou a atualização mais recente da NOAA, agência climática dos Estados Unidos. Segundo ele, o trimestre agosto-setembro-outubro registrou anomalia de 2 °C acima da média no Pacífico, o que caracteriza um El Niño de forte intensidade. Pela classificação citada por Santos, anomalias entre 1,5 °C e 2 °C indicam evento forte, e acima de 2 °C, fortíssimo.
No índice antigo, que era a referência mais acompanhada, a anomalia já chega a 2,5 °C. “Já caminhando para o El Niño de fortíssima intensidade, muito parecido com o 2,6 que foi registrado entre 2015 e 2016 e que foi considerado o mais forte de todos os El Niños”, afirmou. Ele também comparou o evento atual ao de 1997/98.
Para os próximos dias, a tendência é de mais chuvas na faixa central do Brasil, mas de forma muito irregular, e volumes menores no Sul. Ainda assim, segundo Santos, os intervalos entre as frentes frias na região devem aumentar, mas com sistemas mais intensos. “Uma vez por semana uma frente fria entra, só que a hora que ela entra, ela entra rasgando mesmo”, disse.
Novembro e dezembro devem seguir esse padrão, com chuvas mais concentradas nas regiões mais ao norte. A principal preocupação continua sendo a irregularidade. “O nosso medo ainda continua sendo essa irregularidade das chuvas, que pode trazer, em algumas microrregiões, chuvas bastante irregulares ou até mesmo espaçamento de 15 dias”, concluiu.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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