Porto Alegre, 30 de outubro de 2026 – O mercado brasileiro de suínos teve forte valorização ao longo de outubro, tanto no animal vivo quanto nos principais cortes negociados no atacado, segundo o analista de Safras & Mercado Allan Maia. “O movimento dá sequência à recuperação observada já na segunda quinzena de setembro, sustentado por uma postura mais ativa da indústria na compra de animais, especialmente na primeira metade do mês”, explica.
A partir da segunda quinzena, porém, as negociações perderam força. De acordo com Maia, a indústria ficou mais cautelosa diante de um escoamento mais lento da carne. “É um movimento natural, considerando a menor disponibilidade financeira das famílias nesse período”, afirma. Mesmo assim, os preços ficaram praticamente estáveis, o que mostra que as altas do mês se concentraram na primeira quinzena.
As perspectivas para o fim do ano seguem positivas. “Historicamente, novembro e dezembro são marcados por um aumento do consumo de proteínas por conta das festividades, o que tende a favorecer a demanda pela carne suína”, destaca o analista. Ele lembra ainda que a carne bovina continua em patamares elevados e menos acessível para parte dos consumidores. “Esse cenário pode estimular a migração de parte da demanda para proteínas de menor custo, como a carne suína e a de frango.”
No mercado externo, as exportações seguem como importante fator de sustentação, com embarques em níveis elevados que reduzem a oferta disponível no mercado interno. Maia alerta, no entanto, para a evolução dos preços internacionais e, principalmente, para as notícias envolvendo as Filipinas, hoje o principal destino da carne suína brasileira.
Segundo informações recentes, o governo filipino avalia suspender por cerca de dois meses a emissão de licenças de importação para alguns cortes suínos. “Caso a medida seja implementada, o Brasil poderá sentir impactos negativos sobre seus embarques nos próximos meses, o que tende a limitar parte do suporte do mercado externo”, avalia. “Os efeitos, no entanto, vão depender da abrangência da medida e da capacidade de redirecionar as exportações para outros mercados”, conclui.
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que o mercado de suíno vivo no Brasil registrou avanço nos preços mensais nas principais praças do país. A média de preços do Centro-Sul subiu 9,50%, passando de R$ 5,36 para R$ 5,87 por quilo.
A carcaça teve valorização de 10,81%, passando de R$ 8,90 para R$ 9,86. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado avançou 5,35%, passando de R$ 10,28 para R$ 10,83.
A análise mensal de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo teve alta de R$ 114,00 para R$ 130,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo subiu de R$ 4,80 para R$ 4,90 e no interior do estado foi de R$ 5,40 para R$ 5,95.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração avançou de R$ 4,65 para R$ 4,75 e no interior catarinense de R$ 5,35 para R$ 6,00. No Paraná, o preço do quilo vivo registrou alta de R$ 5,40 para R$ 5,95 no mercado livre e, na integração, de R$ 5,05 para R$ 5,10.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande teve valorização de R$ 5,30 para R$ 5,90 e, na integração, de R$ 4,65 para R$ 4,75. Em Goiânia, os preços avançaram de R$ 5,80 para R$ 6,80. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram alta de R$ 6,20 para R$ 7,00 e, no mercado independente, de R$ 6,40 para R$ 7,20. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis subiu de R$ 5,45 para R$ 6,10 e, na integração do estado, de R$ 4,65 para R$ 4,75.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 223,183 milhões em outubro (16 dias úteis), com média diária de US$ 13,949 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 99,087 mil toneladas, com média diária de 6,193 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.252,4 por tonelada.
Em relação a outubro de 2025, houve recuo de 4,2% no valor médio diário, avanço de 8,5% na quantidade média diária e queda de 11,7% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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