Porto Alegre, 23 de outubro de 2026 – As exportações brasileiras de feijão totalizaram 401,69 mil toneladas entre janeiro e setembro de 2026, ante 360,50 mil toneladas no mesmo período de 2025, avanço de 11,4%, equivalente a 41,19 mil toneladas. O crescimento foi sustentado pelo aumento dos embarques de feijão mungo, que compensou as perdas registradas nas categorias de feijão comum e caupi.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o resultado mostra uma mudança significativa na composição das exportações brasileiras. O feijão comum recuou de 114,56 mil para 46,12 mil toneladas, enquanto o caupi passou de 66,78 mil para 50,81 mil toneladas. Em contrapartida, o mungo avançou de 178,62 mil para 304,26 mil toneladas, consolidando-se como principal produto da pauta exportadora. O adzuki manteve participação reduzida, com 490 toneladas.
“O crescimento das exportações brasileiras não representa um fortalecimento generalizado das diferentes classes, mas uma maior participação do mungo, com concentração relevante da demanda compradora na Índia”, destaca Oliveira.
O feijão comum, que inclui as variedades preta, vermelha e branca, apresentou a maior retração entre as categorias de maior volume, com queda de 68,44 mil toneladas, ou 59,7%. No caso específico do feijão preto, os embarques diminuíram de 58,98 mil para 18,56 mil toneladas, recuo de 68,5%.
Entre os destinos do feijão preto, Cuba foi o principal destaque positivo, ampliando as compras de 2,89 mil para 6,77 mil toneladas. Por outro lado, Venezuela, Índia, Portugal e Guatemala reduziram os volumes para 4,86 mil, 1,60 mil, 1,27 mil e 0,86 mil toneladas, respectivamente. No conjunto do feijão comum, também foram registradas perdas nas vendas para Portugal, África do Sul e Guatemala, parcialmente compensadas pelo crescimento das aquisições de Cuba, Paquistão e Estados Unidos.
As exportações de caupi recuaram 23,9%, para 50,81 mil toneladas, com perdas concentradas principalmente no Egito, Paquistão e Índia. O mercado indiano absorveu 37,74 mil toneladas, aproximadamente 74,3% do total embarcado, enquanto Egito e Paquistão receberam 8,02 mil e 3,34 mil toneladas, respectivamente.
“Essa concentração limita a diversificação comercial e aumenta a exposição das exportações às condições de compra desses mercados”, observa o analista.
Em sentido contrário, o mungo registrou crescimento de 70,3%, alcançando 304,26 mil toneladas, com incremento de 125,64 mil toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior. A Índia respondeu por 245,56 mil toneladas, o equivalente a aproximadamente 80,7% dos embarques. Também houve avanços nas vendas para Vietnã, Tailândia, Paquistão e Filipinas.
Com esse desempenho, o mungo passou a representar cerca de 75,7% das exportações combinadas das quatro categorias analisadas, reforçando sua importância para o comércio externo brasileiro de feijão.
Para o encerramento do ciclo exportador e o planejamento da próxima temporada, Oliveira avalia que a continuidade da demanda internacional pelo mungo permanece como principal fator de sustentação dos embarques. Já a recuperação do feijão comum e do caupi depende da retomada das compras nos mercados que reduziram seus volumes.
“A expansão do mungo é o principal fator de alta das exportações, mas a concentração das compras na Índia representa um risco comercial relevante”, ressalta.
Por outro lado, a retração do feijão comum, especialmente do feijão preto, reduz as alternativas de escoamento externo e pode aumentar a importância relativa do mercado interno.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras)
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