Porto Alegre, 7 de outubro de 2026 – Os preços do milho devem continuar pressionados no Brasil até o final de 2026, diante do ritmo fraco das exportações e da perspectiva de maior oferta disponível no mercado interno. A avaliação é do analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, durante painel sobre o mercado de milho na 12a Safras Agri Week.
Segundo Molinari, a combinação entre a queda das cotações na Bolsa de Chicago e a valorização do real reduziu os preços de exportação brasileiros. As referências nos portos recuaram de R$ 72 a R$ 73 por saca para R$ 65 a R$ 66, limitando a competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional.
O analista destacou que o Brasil está perdendo sua janela de exportação, tradicionalmente concentrada entre agosto e outubro. Em setembro, os embarques somaram 5,4 milhões de toneladas, ante 7,6 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. Diante desse cenário, a projeção de exportações brasileiras na temporada foi reduzida de 40 milhões para 37,7 milhões de toneladas.
A demanda doméstica, por outro lado, segue aquecida, sustentada pelo consumo de milho para produção de etanol e pela atividade dos setores de carnes. O problema, segundo Molinari, é o excedente de oferta que precisa ser escoado para o exterior. Com as exportações mais fracas, a estimativa de estoque de passagem foi elevada de 10,2 milhões para 11,6 milhões de toneladas.
Esse volume adicional pode aumentar a pressão de venda em algumas regiões, especialmente na virada do ano, quando a chegada da nova safra de verão exigirá espaço nos armazéns. O analista ressaltou que a indústria de etanol, apesar de sua crescente importância, não é suficiente para absorver sozinha o excedente de milho.
Para o início de 2027, uma eventual reação dos preços dependerá principalmente das condições climáticas durante o desenvolvimento e o plantio da segunda safra. Molinari apontou que a irregularidade das chuvas em janeiro, fevereiro e março poderá comprometer o potencial produtivo da safrinha e sustentar uma recuperação das cotações.
No cenário internacional, a quebra da safra europeia representa um fator de demanda, mas a Argentina vem ampliando agressivamente suas exportações e ocupando espaço no mercado. Nos Estados Unidos, a colheita avança e ainda há incertezas sobre os ajustes de produtividade.
Diante desse conjunto de fatores, Molinari avalia que o mercado brasileiro tem poucos elementos capazes de impulsionar os preços no curto prazo. Uma recuperação dependeria de uma mudança significativa no cenário cambial, de uma alta das cotações internacionais ou de problemas climáticos na próxima safrinha.
Pedro Diniz Carneiro – pedro.carneiro@safras.com.br (Agência Safras)
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