São Paulo, 1 de outubro de 2026 – A Corteva oficializou nesta quinta-feira (1º) a separação de seus negócios, mantendo sob sua estrutura a divisão de proteção de cultivos (defensivos agrícolas) e biológicos. Agora, a área de sementes passa a operar sob a marca Vylor.
A nova fase da companhia foca no desenvolvimento acelerado de tecnologias para o campo, soluções financeiras de mitigação de risco, como as operações de barter, que já correspondem a cerca de 45% do faturamento no Brasil, e crescimento acima da média do setor. Com a reorganização, a empresa busca ampliar sua agilidade operacional para capturar oportunidades em um mercado global de defensivos tradicionais que cresce entre 1% e 2% ao ano, além dos segmentos de tratamento de sementes (3% a 5%) e biológicos (6% a 8%).
De acordo com Felipe Daltro, recém-empossado presidente da Corteva na América Latina, a mudança estrutural visa dar foco absoluto às demandas de proteção de cultivos e biológicos. “Na sua nova formação, como nova empresa está adaptada para defensivos agrícolas e produtos biológicos, mais ágil, fazendo alocação de recurso da forma correta, quer e precisa fazer com que esses ciclos de inovações que aconteçam no agro sejam muito mais rápidos”, afirmou Daltro.
Pipeline de US$ 11 bilhões e lançamento de nova molécula
A estratégia da Corteva apoia-se em um pipeline de inovação global avaliado em US$ 11 bilhões. A estimativa para os próximos dez anos inclui o lançamento de 12 novos ingredientes ativos no mercado global, compreendendo sete novas moléculas químicas e cinco produtos biológicos. O investimento médio para colocar uma nova molécula de proteção de cultivos no mercado gira em torno de US$ 300 milhões, exigindo cerca de 13 anos de pesquisas e trâmites regulatórios.
Entre os principais ativos direcionados ao mercado brasileiro e latino-americano está o Keviza (com a molécula Adavelt/Keviza), fungicida com novo modo de ação voltado ao controle da ferrugem-asiática da soja e doenças de fim de ciclo. Trata-se do primeiro grupo químico inédito introduzido no país para a cultura em mais de 14 anos, com potencial de atingir um pico de vendas de US$ 500 milhões na América Latina.
Prioridade no Brasil e integração de biológicos
O mercado brasileiro, segundo maior da Corteva globalmente atrás apenas dos Estados Unidos, será o centro das atenções do novo momento operativo. A companhia abriga no país sua maior estação de pesquisa e desenvolvimento integrada do mundo, localizada em Mogi Mirim (SP), além da maior fábrica de biológicos da empresa em nível global, em Cosmópolis (SP).
Thiago Gentijo, que assume a presidência da Corteva no Brasil, destacou a relevância do país na estratégia de combinar insumos químicos e biológicos. “A visão de biológicos da Corteva é muito acertada porque ela está mirando aquilo que o agricultor precisa, que é combinar. A gente não tem que fazer escolha e nem pode abrir mão de escolher entre biológico ou químico. A gente precisa combinar para extrair o que há de melhor em termos de performance e segurança”, disse.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Agência Safras)
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