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Aumento das exportações brasileiras de café e boas perspectivas para safra 2027 pressionam o mercado

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Porto Alegre, 18 de setembro de 2026 – Os preços do café caíram com intensidade nesta última semana no mercado internacional. O arábica na Bolsa de Nova York atingiu os valores mais baixos em mais de dois meses e meio no contrato dezembro, e o robusta também cedeu bastante na Bolsa de Londres. No Brasil, o mercado físico também recuou sob a pressão das perdas externas.

 

Nas bolsas, o mercado vem sendo claramente pressionado pelas indicações de uma melhora na oferta global. Como destacou o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, esse sentimento foi reforçado pelo excelente desempenho dos embarques brasileiros em agosto. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontou que este foi o melhor agosto da história nas exportações, com o país embarcando 4,16 milhões de sacas no total (verde mais industrializado), 31% a mais que no mesmo mês do ano passado.

 

E setembro vem mantendo um forte fluxo para os embarques do país. Na segunda-feira, dia 14, a Secretaria de Comércio Exterior divulgou que as exportações brasileiras de café em grão em setembro de 2026, contando 8 dias úteis, estavam em 1.798.317 sacas de 60 quilos (média diária de 224.790 sacas), com receita chegando a US$ 584,586 milhões (média diária de US$ 73,073 milhões) e preço médio de US$ 325,07 por saca.

 

A receita média diária obtida com as exportações de café em grão em setembro é 35,0% superior no comparativo com a média diária de setembro de 2025. Já o volume médio diário embarcado é 51,5% superior ao registrado em setembro do ano passado. O preço médio, por sua vez, apresenta queda de 10,9% na mesma base de comparação.

 

Esse ritmo dos embarques brasileiros nos primeiros meses da nova temporada 2026/27 (julho/junho) vem fortalecido pela colheita de uma ampla safra brasileira em 2026, possivelmente recorde. Com a finalização da colheita, as perspectivas são de manutenção de sólidos embarques ao longo da temporada. Com a performance no mês passado, os embarques de todos os tipos de café no primeiro bimestre do ano-safra 2026/2027 totalizam 7,204 milhões de sacas, gerando uma receita cambial de US$ 2,242 bilhões. Esse desempenho representa incremento de 21,5% em volume e de 4,1% em valor frente ao registrado em julho e agosto de 2025.

Barabach comenta que, com esse cenário, cresce a expectativa de recomposição dos estoques junto aos importadores. “Além disso, as chuvas e a boa impressão inicial das floradas brasileiras para a safra 2027/28 aumentam a percepção de um abastecimento mais confortável no futuro. Esse conjunto de fatores reforça a pressão negativa sobre a curva de preços”, comentou o analista.

 

Por enquanto, em que pesem as preocupações com os efeitos do fenômeno El Niño, são boas as condições iniciais para as floradas e o pegamento das floradas no Brasil. Esperam-se complicações com possível falta de umidade e elevadas temperaturas para os últimos meses do ano.

 

No Vietnã, após preocupações com chuvas em excesso indicadas, houve a notícia de que na verdade as precipitações foram favoráveis ao robusta em regiões produtoras, o que foi outro aspecto baixista citado em agências internacionais nesta semana, sobretudo para Londres (robusta).

 

Um outro fator negativo aos preços colocado na semana foi o aumento nos estoques certificados em Nova York, após longo período de declínios constantes. Ainda estão historicamente em patamares baixos, mas o incremento traz um sentimento melhor em relação a oferta também de curto prazo.

 

O mercado também esteve atento ao humor financeiro, que sempre mexe demais com o dólar, petróleo e outras commodities e também influencia o café, ainda mais em semana de mudanças nas taxas de juros americana e no Brasil. O dólar subiu no comercial no Brasil entre as quintas-feiras (10 e 17 de setembro) 0,75%. É um aspecto favorável à competitividade das exportações brasileiras e, portanto, negativo para as cotações nas bolsas, embora no físico brasileiro seja um fator de suporte aos preços em reais do café.

 

No balanço semanal, na Bolsa de NY, o contrato dezembro acumulou baixa de 4% nos últimos sete dias, entre as quintas-feiras 10 e 17 de setembro, caindo de 288,15 para 276,50 centavos de dólar por libra-peso. No mesmo comparativo, Londres teve perda no robusta de 4,6% no contrato novembro.

 

No mercado brasileiro, a semana foi de cautela para os produtores diante das quedas nas bolsas. Essa postura defensiva do vendedor, a alta do dólar e a demanda limitaram o efeito baixista de NY e Londres, mas as cotações também cederam no país. Os compradores também atuaram conforme necessidade e buscando cotações mais baixas diante do cenário negativo externo.

 

No balanço semanal, entre as quintas-feiras 10 e 17, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, safra nova, caiu de R$ 1.620,00 para R$ 1.580,00 a saca na base de compra, desvalorização de 2,5%. No balanço do conilon, o tipo 7, base compra em Vitória/Espírito Santo, recuou de R$ 990,00 para R$ 960,00 a saca, queda acumulada de 3%.

 

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br (Agência Safras)

 

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