Porto Alegre, 18 de setembro de 2026 – O mercado brasileiro de trigo operou a semana sob baixa liquidez, com compradores e vendedores mantendo postura cautelosa diante das incertezas sobre a qualidade da safra nova no Paraná. Segundo o analista de Safras & Mercado Thiago Oleto, a disponibilidade do cereal com padrão adequado à moagem seguiu limitada, mesmo com o avanço da colheita.
A semana começou com a referência média FOB interior em R$ 1.480/t no Paraná, patamar que se manteve praticamente estável até quinta-feira (17). Apesar do avanço da colheita, a oferta não cresceu na intensidade esperada.
Chuvas recentes prejudicaram lavouras próximas à colheita, principalmente nas regiões Norte e Oeste. Já na terça-feira (15), havia relatos de lotes recebidos com peso hectolítrico (PH) entre 70 e 78, além da ocorrência de brusone e giberela, em cenário de excesso de umidade e dificuldade para realizar tratamentos preventivos. Diante disso, vendedores de trigo Tipo 1 reduziram a oferta e passaram a pedir preços próximos de R$ 1.600/t.
Ao longo dos dias, essa retração se acentuou: produtores que colheram trigo com PH acima de 78 optaram por segurar o produto, à espera de uma definição mais clara sobre qualidade e preços, o que reduziu ainda mais a oferta comercial de trigo de melhor padrão.
“Mesmo com o avanço da colheita, a disponibilidade de trigo adequado à moagem segue limitada”, resumiu Oleto.
Nos Campos Gerais, onde o ciclo está mais atrasado, dias seguidos de tempo fechado ampliaram as incertezas sobre a qualidade. Moinhos trabalharam com indicações próximas de R$ 1.500/t posto moinho para entrega imediata, R$ 1.450/t para outubro e R$ 1.400/t para novembro, níveis praticamente inalterados desde o início da semana. Em Cascavel, foi registrado negócio pontual com trigo velho a R$ 1.530/t FOB.
No Rio Grande do Sul, a semana também começou com pouca movimentação e poucos vendedores ativos. Compradores buscavam trigo entre R$ 1.430/t e R$ 1.450/t FOB interior, enquanto as ofertas apareciam próximas de R$ 1.500/t, distância de R$ 50 a R$ 70 por tonelada que dificultou a realização de negócios.
Da terça-feira (15) em diante, a referência de compra se estabilizou perto de R$ 1.450/t, com vendedores mantendo pedidas ao redor de R$ 1.500/t. “A diferença de aproximadamente R$ 50,00 por tonelada entre as pontas continua dificultando a realização de negócios, sem mudança relevante nas referências”, observou Oleto. Na quinta-feira, negócios pontuais de trigo branqueador foram fechados a R$ 1.500/t FOB e de trigo pão a R$ 1.550/t FOB, reforçando a diferenciação por qualidade sem alterar a referência geral do estado.
Para a safra nova, o mercado seguiu em compasso de espera: na segunda-feira (14), havia uma indicação isolada de compra no porto a R$ 1.270/t, com entrega e pagamento em dezembro, sem interesse dos vendedores nesse nível; a partir de quarta-feira (16), deixaram de ser reportadas novas ofertas de compra para a safra futura. “O mercado gaúcho permanece em compasso de espera, acompanhando principalmente a qualidade do trigo que está sendo colhido no Paraná antes de estabelecer novas referências para a próxima safra”, disse Oleto.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Agência Safras)
Copyright 2026





