Porto Alegre, 18 de setembro de 2026 – O mercado brasileiro de boi gordo registrou uma semana de elevado spread entre os valores praticados para a arroba no mercado físico e futuro. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, esse cenário reflete uma expectativa de elevado potencial de alta na demanda no último trimestre do ano. “A diferença entre os valores do mercado spot (setembro) e futuro (outubro) excedeu a casa de R$ 20, mas a tendência é de que o mercado busque um ajuste de convergência nas próximas semanas”, pontua.
De modo geral o mercado físico do boi registrou negócios em patamares acima da referência média durante a semana. “Os frigoríficos de maior porte ainda operam com escalas de abate mais confortáveis, considerando a incidência de animais de parceria e até mesmo a utilização de confinamentos próprios. Por sua vez, os frigoríficos de menor porte ainda são obrigados a negociar de maneira mais contundente, diante de um quadro mais complicado na composição de suas escalas de abate”, explica. Por conta disso, houve relatos de negócios pontuais a R$ 360/@ no interior de São Paulo, embora pouco representativos, embora a média no estado ainda se concentre entre R$ 350/355 a arroba.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 17 de setembro:
* São Paulo (Capital) – R$ 355,00 a arroba, alta de 4,41% frente aos R$ 340,00 praticados no final da semana passada.
* Goiás (Goiânia) – R$ 340,00 a arroba, aumento de 3,03% frente aos R$ 330,00 registrados no final da última semana.
* Minas Gerais (Uberaba) – R$ 335,00 a arroba, inalterado frente ao final da semana passada.
* Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 345,00 a arroba, alta de 2,99% frente aos R$ 335,00 registrados no encerramento da última semana.
* Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 330,00 a arroba, estável ante a última semana.
* Rondônia (Vilhena) – R$ 335,00 a arroba, alta de 0,60% em relação aos R$ 333,00 registrados no final da semana passada.
Atacado
Conforme Iglesias, o mercado atacadista registrou preços mais altos no decorrer da semana. A entrada dos salários na economia estimulou a reposição entre atacado e varejo durante a primeira metade do mês. Para a segunda quinzena, entretanto, a expectativa é de menor intensidade do consumo. “A elevada competitividade dos cortes suínos e da carne de frango também limita o espaço para novos avanços da carne bovina, especialmente em um ambiente de menor poder aquisitivo das famílias”, pontua.
O quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 27,50 por quilo, alta de 3,77% ante os R$ 26,50 registrados no final da semana passada. Já o corte do quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 19,50 por quilo, avanço de 2,63% ante os R$ 19,00 praticados no fechamento da última semana.
Exportações
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 495,054 milhões em setembro (8 dias úteis), com média diária de US$ 61,881 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 79,711 mil toneladas, com média diária de 9,964 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.210,50.
Em relação a setembro de 2025, houve baixa de 23% no valor médio diário da exportação, queda de 30,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,5% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Agência Safras)
Copyright 2026





