São Paulo, 14 de setembro de 2026 – Em semana de decisões sobre a política monetária nos Estados Unidos, Brasil, Reino Unido e Japão, o mercado financeiro global inicia a semana com maior aversão ao risco, decorrente da alta do petróleo e da fraca performance do setor de tecnologia. No Brasil, os ativos locais devem seguir a indicação externa, de olho também no cenário político.
“Lá fora, nova rodada de alta no preço do petróleo, o que traz uma pressão nas bolsas globais, com foco no setor de tecnologia e nos EUA. Por aqui, piora do humor internacional deverá influenciar nos ativos domésticos. Espera-se um dia mais fraco para o real e bolsa”, resume a Ajax Asset, em relatório matinal.
No exterior, os investidores temem que uma eventual desaceleração no desenvolvimento da IA possa reduzir o ritmo dos investimentos em infraestrutura tecnológica e data centers, que tem sido um dos principais motores de valorização dos mercados acionários globais nos últimos anos.
No mercado de energia, o petróleo ampliava a alta após o fim de semana, diante do avanço dos houthis, apoiados pelo Irã, e do aumento das ameaças à navegação pelo Estreito de Bab el-Mandeb. O adiamento de uma reunião prevista para esta segunda-feira entre o Irã e outros países do Golfo para discutir as rotas marítimas acrescentou pressão às cotações.
Os mercados se preparam para uma provável elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) na quarta-feira. As negociações indicavam probabilidade de 86,8% de um aumento de 0,25 ponto percentual. Além do Fed, os investidores acompanham nesta semana as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco do Japão (BoJ), previstas para quinta e sexta-feira, respectivamente. A expectativa é de manutenção dos juros pelo BoE e de aumento das taxas pelo BoJ. Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE) elevou seus juros.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária se reúne no final da quarta e as apostas são de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 13,75% ao ano. O sentimento de redução se consolidou após a divulgação na sexta de um IPCA com deflação ainda maior que o esperado pelo mercado.
No cenário político, atenções para as novas pesquisas eleitorais e para a sessão de amanhã no Supremo Tribunal Federal (STF). Após o fechamento do mercado na sexta, a pesquisa Datafolha confirmou um quadro de disputa acirrada e empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Focus
As instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) na pesquisa Focus reduziram de 5,00% para 4,90% a previsão para a inflação medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Para 2027, as instituições financeiras elevaram de 4,29% para 4,30% a previsão para a inflação medida pelo IPCA.
As instituições reduziram de 1,93% para 1,89% a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A projeção para 2027 diminuiu de 1,50% para 1,45%.
A pesquisa manteve em 13,75% a previsão para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026. Atualmente, ela está em 14,00%, o que significa que o mercado espera uma redução de 0,25 ponto porcentual (pp) até o final do ano. Para 2027, a estimativa para a taxa Selic manteve-se em 12,00%.
A projeção para a taxa de câmbio em 2026 ficou estável em R$ 5,20 por dólar, enquanto a estimativa para 2027 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28 por dólar. Quatro semanas atrás, a previsão para 2026 era igual, mas a estimativa para 2027 era maior, de R$ 5,29.
Dylan Della Pasqua / Agência Safras
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