Porto Alegre, 11 de setembro de 2026 – O mercado do feijão carioca encerra a semana com firmeza seletiva, marcada menos pela expansão da demanda e mais pela escassez relativa dos padrões superiores. Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, os comerciais 7,5 e 8 de cor encontraram negócios entre R$ 290 e R$ 310 por saca (sc) CIF São Paulo, mas em volumes reduzidos, enquanto R$ 340/sc começa a ganhar força como referência dos lotes premium.
“Essa abertura de diferenciais revela um mercado mais segmentado: qualidade, peneira, aspecto, umidade e rendimento passaram a determinar o preço efetivamente negociado”, observa Oliveira.
O produtor permanece tranquilo, sustentado pela retenção na fonte e pela ausência de necessidade imediata de caixa, evitando concessões. Do outro lado, os empacotadores seguem cautelosos, comprando conforme a reposição de margem e a necessidade de estoque, sem antecipar aquisições em níveis elevados. As referências entre R$ 330 e R$ 340/sc observadas no Brás ainda precisam de validação consistente, em um cenário no qual a oferta física permaneceu limitada.
No preço na origem (FOB), Goiás trabalha entre R$ 285 e R$ 295/sc, Minas Gerais entre R$ 295 e R$ 305/sc e o interior de São Paulo entre R$ 330 e R$ 335/sc para extra nota 9 ou superior.
“No curto prazo, a tendência é de firmeza, com potencial de nova reprecificação nos melhores lotes caso a reposição industrial acelere”, avalia o analista.
Sem esse gatilho, a liquidez continuará amarrada e os diferenciais permanecerão elevados nas próximas sessões de negociação industrial.
Feijão preto perde suporte das exportações e demanda limita novas altas
O mercado do feijão preto mantém uma estrutura firme, embora com diferenças regionais. No Paraná, o extra Tipo 1 trabalha entre R$ 225 e R$ 230/sc, enquanto Santa Catarina indica R$ 230 a R$ 235/sc. A oferta ajustada reduz a margem para pressão compradora, enquanto os produtores demonstram resistência e os empacotadores priorizam compras para reposição de margem.
A acomodação em Santa Catarina merece acompanhamento, mas ainda não caracteriza uma mudança estrutural, pois o Paraná permanece sustentado e a disponibilidade regional continua curta.
No comércio externo, Oliveira destaca que o avanço das exportações brasileiras de feijão em 2026 não deve ser interpretado automaticamente como aumento da demanda pela variedade preta. O crescimento esteve fortemente concentrado no mungo, tendo a Índia como principal destino.
“A drástica retração de 65,5% nas exportações de feijão preto retirou a importante válvula de escape do mercado nesta temporada”, aponta o analista.
Confinada a uma demanda doméstica geograficamente restrita ao Sul e a poucos estados, a oferta perdeu seu suporte altista, tornando a acomodação das cotações um movimento inevitável. Assim, o efeito direto do crescimento das exportações sobre o feijão preto permanece limitado.
No curto prazo, a firmeza tende a prevalecer, condicionada à reposição industrial e à disponibilidade nas praças produtoras. Se os compradores acelerarem as aquisições, a oferta curta poderá sustentar novos patamares.
“A leitura de curto prazo exige separar disponibilidade física, qualidade, preços efetivamente fechados e fluxo externo”, conclui Oliveira.
Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Agência Safras)
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